Troca troca


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Troca, a mais primitiva forma de relação econômica. Nos tempos das cavernas havia aqueles que trocavam parte dos animais que haviam caçado por um pouco de água, por uma arma interessante ou por uma mulher. Depois da revolução agrícola, os plantadores de milho, para dar uma variada no cardápio, trocavam parte de sua produção por um pouco de cacau. Esse tipo de relação comercial baseada na troca simples era chamada de escambo. Bem.... inventaram o dinheiro para indexar esse troca-troca todo. Milênios foram se passando. Veio o capitalismo. A revolução industrial. Outra revolução industrial. A revolução social ficou só na promessa. Aí veio a revolução digital. O cartão de crédito. As compras pela internet. E adivinhe onde isso foi terminar? Na boa e velha permuta. Fazer trocas pela Internet virou mania. E tem gente que está se dando muito bem com isso, como é o caso do canadense Kyle MacDonald, que, começando com um simples clipe de papel vermelho, foi trocando, trocando até conseguir uma casa. Hoje há sites especializados em trocas, como o E-trocas (www.etrocas.com.br/) e o X-cambo! (www.xcambo.com.br). As trocas mais estranhas podem ser feitas por esses sites. O velho videogame Atari pode virar uma mesa de pebolim e uma carranca do Rio São Francisco pode virar um box de DVDs com a primeira temporada completa de Friends. Quando se encontram colecionadores fanáticos, é possível conseguir até uma mobilete por um número raro de revista em quadrinho que você porventura tenha, mas nem liga muito. O Orkut (site de relacionamentos do Google, como se ainda fosse preciso explicar) tem se mostrado a ferramenta mais eficiente para trocas on-line. Existem comunidades especializadas em permutas das mais diversas coisas: instrumentos musicais, equipamentos de informática, discos de vinil. Tem gente até fazendo troca de casais! Um tipo de troca que se popularizou na internet foi a troca de arquivos. O primeiro programa que permitia esse tipo de compartilhamento de arquivos foi o Napster, criado por Shawn Fanning, quando esse tinha apenas 18 anos. O Napster permitia que seus usuários baixassem músicas no formato MP3 de outros usuários. Para poder fazer o download das músicas, era necessário que o usuário permitisse que os outros também copiassem aquelas que estavam gravadas em seu computador. O programa revolucionou o transporte de arquivos pela web e causou, além de muita polêmica, uma baita dor de cabeça para as gravadoras, que acusavam o Napster de quebra de direitos autorais, em outras palavras, pirataria. Segundo elas, os usuários do serviço deixariam de comprar CDs por poderem obter qualquer música gratuitamente. O Napster, que havia se tornado uma febre na internet, foi processado pelas gigantes da indústria fonográfica e acabou encerrando suas atividades gratuitas, mas o troca-troca de arquivos já era uma realidade, um caminho sem volta. Os herdeiros do Napster foram programas como o Kazaa e Morpheus, que permitiam a troca de todo tipo de arquivos, músicas, vídeos, jogos, textos e imagens. Agora a indústria fonográfica não poderia mais processar, pois não poderia alegar que o intento dessas empresas fosse a pirataria musical. É... o tempo passa mas o pessoal continua trocando, seja lá o que for. Procure as velharias que estão no seu armário e você pode conseguir artesanato egípcio, pogobol, um pedaço do Muro de Berlim, O Senhor dos Anéis escrito em dialeto maori, a calcinha de uma atriz famosa, clipes, casas e o escambal ...

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