Uma cliente da advogada Adriana Telini, que havia acabado de sair de seu escritório com R$ 30 mil no bolso depois de partilhar com o ex-marido o dinheiro de uma separação, não foi assaltada no caminho de casa por capricho do destino: ela passou no consultório do ginecologista antes. A advogada, que deveria proteger a cliente, estava apunhalando-a pelas costas.
A mesma advogada utilizava seu escritório, no Centro, como central telefônica para bandidos se comunicarem entre os presídios e darem o tradicional “salve”. A Polícia, através de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, flagrou Adriana Telini telefonando para a filha de um traficante preso na cadeia do Jardim Guanabara e passando-lhe dicas de como encontrar drogas enterradas em um terreno. Tudo foi admitido pela própria advogada em depoimento aos deputados.
Apesar de tudo, os diretores da subsecção local da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) continuam em silêncio. As gravações da polícia foram feitas em junho de 2005 e, na mesma época, a Ordem foi avisada, mas só formalizou o processo disciplinar contra a advogada em 22 de maio, um dia depois de o Comércio publicar com exclusividade as primeiras gravações.
O presidente, Marco Aurélio Gilberti Filho, pouco disse, pouco fez. Chegou a insinuar, com ingenuidade excessiva, que as denúncias contra Adriana seriam “represália da polícia” à uma “denúncia” feita pela advogada por “suposta tortura praticada por um delegado local”. A versão, na opinião do deputado Moroni Torgan, da ACP do Tráfico de Armas, “não convence nem criancinha”, mas parece ter balançado as convicções do presidente da OAB de Franca. Depois, se defendeu atrás dos discursos formais de que todos têm direito à defesa, como se Adriana tivesse sido julgada por um tribunal de exceção (ela continua solta e foi suspensa preventivamente, podendo voltar a trabalhar em outubro).
Em seguida, enquanto se calava para os microfones, movimentou-se nos bastidores para tentar intimidar repórteres do Comércio e da rádio Difusora com ofícios e convocações para “esclarecimentos”, como se as reportagens ofendessem mais ao presidente da OAB local do que visassem esclarecer o envolvimento de Adriana Telini com bandidos ligados ao PCC.
De tudo, o mais triste é o descaso com que as vítimas de Adriana foram tratadas. Até agora, o presidente da OAB de Franca não fez qualquer decla-ração de apoio ou solidariedade para os prejudicados por Adriana Telini. Nenhum palavra, nenhum pedido de desculpas, nenhuma ajuda oferecida. Silêncio. E só.
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