Adriana Telini confessou tudo. E agora?


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VAI ENCARAR? - A advogada Adriana Telini durante depoimento na CPI do Tráfico de Armas, ao lado dos deputados Neucimar Fraga e Moroni Torgan
VAI ENCARAR? - A advogada Adriana Telini durante depoimento na CPI do Tráfico de Armas, ao lado dos deputados Neucimar Fraga e Moroni Torgan
Passados 55 dias da primeira reportagem publicada pelo jornal Comércio da Franca sobre o escândalo da advogada que entrega os próprios clientes para a bandidagem, na prática, pouco mudou na vida de Adriana Telini Pedro. Descontada a eventual vergonha de sair às ruas, a única diferença concreta na vida de Telini é que ela não pode exercer a profissão – por enquanto. Foi suspensa preventivamente por 90 dias pela OAB e a punição termina no fim de setembro. Apesar das denúncias, inquéritos e show diante das câmeras em Brasília, no depoimento realizado terça-feira da semana passada à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Tráfico de Armas, Adriana poderá, em pouco tempo, voltar a atender os clientes em seu escritório, na Rua Marechal Deodoro, no Centro. A advogada francana foi o centro das atenções ao depor para deputados da CPI do Tráfico de Armas, em Brasília. Ganhou o direito de ser a primeira de 14 advogados convocados pela CPI a ser ouvida na Câmara dos Deputados. E só ela teve, naquele dia, o privilégio de depor sozinha. Na frente de câmeras e microfones, mentiu ao tentar negar envolvimento com o mundo do crime. Depois, na sessão reservada, mudou radicalmente de postura. Confessou seus crimes e revelou pormenores que poucos conheciam. Até seu pai teria saído chocado, na versão de parlamentares que participaram da sessão reservada. Na audiência do processo disciplinar do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), em Ribeirão Preto, Emer Pedro já havia chorado quando ouviu o relator principal, Luiz Gastão de Oliveira Rocha, ler o processo e as acusações que constavam contra sua única filha, de 35 anos. Em Brasília, sequer mexia os olhos, arregalados. impressionado com o que via e ouvia. A VIDA SEGUE Com o fim da suspensão, Adriana poderá voltar à rotina normal na carreira, inclusive com o direito de representar clientes nos tribunais. A não ser que a OAB turbine o processo, o que é pouco provável, considerando os discursos e o ritmo com que a diretoria da OAB local costuma tomar providências. Se no processo disciplinar ela for condenada, só será suspensa depois de julgamento do último recurso no Conselho Federal, em Brasília. Na previsão mais otimista, a decisão definitiva sairá em aproximadamente três anos, tempo mais do que suficiente para que ela retorne à ativa. A advogada flagrada combinando, por meio de ligações telefônicas, assaltos com bandidos presos e indicando o local onde estavam enterradas porções de droga dificilmente será presa a curto prazo. Dos dois processos nos quais a Polícia pede a prisão preventiva da indiciada, um retornou para a Polícia a pedido do Ministério Público, que quer maiores investigações – o outro deverá ter o mesmo destino. O procedimento poderá durar até dois meses para cada um dos processos. Com o decorrer do tempo, Adriana Telini se livrará por um bom tempo - e não para sempre - da cadeia. Desafio, mesmo, será encarar as ruas e o medo de represália dos bandidos que delatou em sessão fechada na Câmara Federal. Alguns dos advogados que ousaram delatar as entranhas da facção foram ameaçados e até transferidos das prisões em que estavam para fugir dos bandidos. Desde que retornou a Franca, vinda de Brasília, na madrugada de quarta-feira, evitou sair de casa. Quando chegou, cobriu o rosto para evitar as câmeras do Comércio. Escapar do crivo da opinião pública – e de clientes “perigosos” – parece ser mais difícil do que da OAB e da Justiça.

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