A serviços-gerais Maria Santos, moradora do Jardim Santa Bárbara, esperava seu ônibus no Terminal de Ônibus Ayrton Senna, no Centro, quando foi surpreendida pela reportagem com a notícia de que o preço das tarifas do transporte coletivo aumenta a partir de segunda-feira. A passagem passa do atual R$ 1,80 para R$ 2. O último aumento das empresas ocorreu há um ano e 47 dias, quando subiu de R$ 1,60 para R$ 1,80.
O reajuste das empresas São José e Viação Atual foi autorizado esta semana por decreto assinado pelo prefeito Sidnei Franco da Rocha (PSDB) e corresponde a 11,11%. A empresa na qual Maria trabalha paga metade de seu transporte. “Mesmo assim não esperava um aumento agora. Meu salário ainda não foi reajustado neste ano. Qualquer aumento no custo de vida encurta meu pagamento”, disse.
A partir de segunda, 62 mil usuários do sistema de transporte público de Franca terão a mesma sensação de salário curto que teve Maria. Principalmente quem não é sindicalizado ou recebe vale-transporte do patrão. Neste caso, ao invés de gastar R$ 79,20 de ida e volta para cada 22 dias trabalhados, passará a desembolsar R$ 88. No caso de sindicalizados ou empregadas domésticas que pagam 30% mais barato, o preço saltará de R$ 1,26, ou seja R$ 55,44 mensais; para R$ 1,40 (R$ 61,60).
Os sapateiros, por exemplo, têm direito ainda a pleitear o pagamento do transporte por suas empresas contratantes.
“O custo do transporte para o trabalho não pode ultrapassar 6% do salário do trabalhador. Caso isso ocorra, ele tem direito ao custeio do restante pelo contratante”, disse o presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca e Região, Odair Bonifácio Carrijo. No caso da categoria, que tem um piso salarial de R$ 460, o que o empregado paga com transporte não deve exceder R$ 27,60. O que sobra fica a cargo da empresa.
REAJUSTE MAIOR
O reajuste das tarifas do transporte coletivo poderia ter sido maior. As empresas que atuam no setor elaboraram documento pleiteando aumento para R$ 2,53. A justificativa era de que o número de passageiros transportados gratuitamente é muito alto, bem como os beneficiários de descontos.
“Além do que os custos para manutenção dos veículos também foram superiores. Mas acreditamos que o reajuste não prejudicará a empresa nem a qualidade dos serviços. Mesmo não sendo o ideal vamos acatá-lo”, disse Celso Dias, gerente da São José. Segundo ele, dos 62 mil usuários diários do sistema público de transporte, 15 mil são gratuitos, cerca de 6 mil têm descontos de 50%, como os estudantes; e 1.500 usufruem do desconto de 30%, como os trabalhadores sindicalizados.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.