Discípulos e missionários


| Tempo de leitura: 3 min
Muitas vezes perguntamos sobre a necessidade ou o significado das coisas. Antes de satisfazer tais buscas, é importante saber o “fundamento” do que nos envolve. Um exemplo: sempre ouviremos falar do trabalho missionário no mundo. Antigamente o trabalho missionário nos fazia lembrar e ajudar pessoas morando em regiões muito distantes geograficamente de onde moramos. Hoje fala-se em “missão” em lugares mais próximos de nós. Não só a Igreja Católica faz missão ou tem missionários; outras igrejas ou seguimentos religiosos também possuem. Então: onde se fundamenta tal trabalho? A resposta é simples: na Sagrada Escritura ou Bíblia, com toda solenidade encontramos um envio da parte de Jesus para os seus discípulos, no evangelho de São Marcos assim está escrito: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15). A pequena missão “às aldeias dos arredores prenuncia a grande missão “até os confins da terra”. Os discípulos aprendem do Mestre, mas chega o momento de se tornarem missionários, pois, de ouvintes se tornam pregadores. O trabalho missionário não foi inventado pela Igreja, nem é uma exigência da fé que se seguiu à Páscoa: o evangelho ensina que Jesus começou a enviar os apóstolos já antes da Páscoa Até esse momento só Jesus pregara o Reino de Deus; os discípulos o seguiam, escutavam e aprendiam. Agora, eles “são enviados”. É um prelúdio do tempo da Igreja, entendido como tempo de missão. Todo missionário tem alguns sinais que o distinguem como missionário do Reino. O primeiro é: a caridade fraterna, a comunhão. Manda-os dois a dois para recomendar a caridade, porque com menos do que dois não é possível a caridade. A missão deve ser iluminada pelo testemunho evangélico por excelência, que é este: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos e meus missionários se vos amardes uns aos outros”.(Jô 13,35). Nada prejudica tanto o anúncio do Evangelho, no âmbito de Igreja paroquial, diocesana, nacional ou de Igreja universal, quanto o espetáculo de desacordo, de rivalidade, de inveja, de desamor entre os anunciadores. Por outro lado a recomendação de ir “como cordeiros entre lobos” apela, de alguma forma, à mansidão e ao amor que está pronto para o sacrifício. O missionário deve se preocupar também com a pobreza, o desapego, a frugalidade, o desinteresse e a confiança na providência; “Ordenou-lhes que não levassem coisa alguma para o caminho, senão somente um bordão: nem pão, nem mochila, nem dinheiro no cinto”. Se o missionário não deve ter dinheiro consigo quando parte em missão, muito menos deve tê-lo quando retorna. Recebestes de graça, de graça daí” (Mt 10, 8). Ao lado dos comportamentos pessoais o missionário deve ter uma “coerência de vida”. Muitas coisas ou situações tentam roubar a pureza do coração do missionário: o apêgo às coisas mundanas, às tentações do dia-a-dia, o egoísmo, a exploração. O missionário do reino, forte graças à Palavra libertadora de Jesus, pode exorcizar esses espíritos; mas, para fazê-lo, deve falar em Espírito e poder, isto é, deve estar animado de autêntico espírito profético. Só com o Espírito de Cristo ressuscitado é possível ter força suficiente para denunciar com vigor, para si mesmo, estes perigos e dele se afastar. Todo missionário pode contar unicamente com a força que lhe foi conferida por Deus. PADRE JOSÉ GERALDO é Pároco da Catedral de Franca

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários