Receber medicamentos gratuitos de entidades assistenciais deixou de ser realidade para a dona de casa Emerlinda Gertrudes Oliveira, 46. Desde outubro de 2005, quando foi fechada a farmácia da Sociedade Assistencial do Bairro São José, o orçamento da família, de cerca de R$ 700, também precisa arcar com remédios. “Não sobra dinheiro para comprar mais nada, nem mesmo carnes e legumes, necessários para uma boa alimentação do meu pai, que tem 88 anos, é hipertenso e está acamado devido a uma cirurgia de hérnia”.
As entidades assistenciais foram proibidas de distribuir remédios diretamente para a população sem o acompanhamento de um farmacêutico. Como muitas não têm recursos para pagar os profissionais, interromperam o serviço. Antes, 11 entidades distribuíam medicamentos para a população. Hoje, apenas 6 são regularizadas.
Para a dona de casa, a limitação é um problema. Recentemente, o médico do pai de Emerlinda receitou um complemento alimentar, mas, sem dinheiro, ela conseguiu comprar apenas uma lata.
Na casa, não é só o pai de Emerlinda que precisa de medicamentos. Ela própria toma calmantes e tem problemas nos rins, artrite e artrose. O marido, de 47 anos, tem úlcera e precisa tomar remédios todos os dias. A sogra, que mora com a família, é hipertensa, tem labirintite e problemas de coração. “É uma pena que trabalhos como o do senhor Joaquim (da sociedade assistencial) deixaram de existir”.
Joaquim Pedro Sobrinho, 73, é fundador e presidente da Sociedade Assistencial do Bairro São José. Durante 20 anos a entidade distribuiu medicamentos gratuitos à comunidade. O trabalho foi suspenso em outubro do ano passado. “Comecei a receber multas e mais multas e, infelizmente, interrompi o trabalho”, disse Joaquim.
A farmácia do Serviço Social Francano Frei Gregório Gil vem resistindo e continua o trabalho assistencial iniciado há 60 anos. Cerca de mil pessoas são atendidas por mês. “Nós recebemos multas, mas recorremos. Não podemos deixar as pessoas sem assistência”, disse o presidente da entidade, Messias Antônio Teófilo.
A Pastoral da Saúde da Capelinha, depois de quase um ano fechada, atendeu às exigências e reabriu, no último dia 19 de junho, a farmácia filantrópica, que agora conta com três farmacêuticos que se revezam de segunda a quinta-feira, num trabalho voluntário.
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