A influência profissional na atuação dos vereadores na Câmara Municipal é incontestável. Em alguns deles, até mesmo o nome político faz vinculação com a profissão. Donizete da Farmácia (PMN), Zezinho Cabeleireiro (PTB) e Sargento Mambrini (PMN) são exemplos clássicos. Mas Jepy Pereira (PSDB), apesar de não carregar em seu nome a designação de advogado, deixa transparecer em seu comportamento como parlamentar toda a sua vocação. O tucano recebe processos judiciais nos quais advoga durante a sessão. Como representante dos advogados que defendem o interesse do cliente, seja qual for, ele não esconde que seus posicionamentos podem pender para qualquer lado, dependendo dos interesses políticos.
Em algumas sessões, a advocacia exercida por Jepy literalmente invade o plenário. No fim da tarde, em meio às discussões, uma jovem mulher vai até a mesa do vereador e deixa uma pilha de papéis. As capas cor-de-rosa dos calhamaços não deixam dúvidas: são processos judiciais. Ele explica: “Para que eu não tenha que sair daqui, minha filha traz os processos para que eu os leve para casa. São serviços que eu não estou fazendo na Câmara. Só uso a mesa para guardá-los”. Fotógrafos do Comércio da Franca já flagraram o vereador folheando os processos e fazendo anotações durante as sessões, sem dar lá muita atenção ao que estava sendo discutido pelos colegas.
A vocação de advogado de Jepy é tão grande que às vezes o faz até se confundir na hora em que ele deveria usar seus conhecimentos de Direito para agir como vereador eleito. O tucano é membro da Comissão de Justiça e Redação (CJR) da Câmara, responsável por analisar se as propostas que passam pela Casa não estão em conflito com a Constituição Federal ou com a legislação vigente.
Em entrevista gravada e concedida na terça-feira, 11, Jepy respondeu de maneira enigmática a uma pergunta que cobrava um posicionamento em relação ao projeto que concedia benefícios a doadores de sangue em concursos municipais, analisado pela comissão: “Essas questões políticas são complicadas. Se você me pedir um parecer sobre uma determinada matéria, eu pergunto: você quer favorável ou contra?”, disse sem nenhum constrangimento. Ele só parece não levar muito em conta o lado da população. Mas tudo bem, como dizem os juristas, isso é outra contenda.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.