Jardel Messias Gonçalves, de apenas quatro meses, morreu ontem no Pronto-socorro Infantil, depois de esperar horas por atendimento e ser vítima de um jogo de empurra. O bebê, que morava na zona rural de Restinga, passou várias horas no PS, desidratada, com febre alta e convulsões, aguardando transferência para a Santa Casa de Franca. Permaneceu na unidade por mais de seis horas. Não resistiu e morreu às 6h25 de ontem.
A mãe da vítima, Joice Messias, está revoltada. Para ela, o descaso durante o atendimento pode ter custado a vida de seu filho. “O menino estava mal, tendo convulsões. Ligaram na Santa Casa, que respondeu que não tinha vaga. Aí, disseram que eu teria de esperar. Esperaram tanto que meu menino faleceu. Não tomaram nenhuma providência. Ficaram só olhando e isso não ia salvar ele”.
O secretário da Saúde de Franca, Alexandre Ferreira, responsável pela unidade, foi procurado quatro vezes pelo Comércio da Franca em seu gabinete e pelo celular na tarde de ontem, mas não se manifestou. Em entrevista concedida à rádio Imperador, deixou claro que a responsabilidade pelo óbito seria da Santa Casa. “(A médica) Solicitou vaga na Santa Casa, que respondeu que iria providenciar (...). Nesse intervalo a criança acabou sofrendo uma parada cardiorrespiratória por aspiração de secreções. Não posso falar em imprudência, ainda que tenha havido algum erro de parte.
Estamos averiguando para ver o que aconteceu”, disse Ferreira.
A Santa Casa, por meio da assessora de imprensa Jacinta Sad, joga a culpa na médica do PS Infantil. “Realmente pediram a vaga, mas a pediatria está lotada. O fato de não ter vagas não justifica a morte do paciente. Se a médica viu que o quadro era grave, deveria ter procurado vaga em outro hospital. Franca tem outros hospitais. Mas, para eles, parece ser mais fácil encaminhar para a Santa Casa”, disse Sad.
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