Conexão: Informação, Conhecimento e Sabedoria


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O grande paradoxo do nosso tempo é que temos ao nosso dispor máquinas absolutamente fantásticas e, ao mesmo tempo, nunca foi tão necessário valorizar o ser humano. O fato é que as grandes máquinas, e até mesmo programas de tecnologia avançadíssima, precisam ser “humanamente administradas” para que o acirramento da competitividade mercadológica avance passos, muitas vezes estratosféricos, diante da concorrência. Não é por outra razão que algumas vezes presidentes de grandes empresas são tidos como verdadeiras “estrelas” no mundo bussines. Ninguém duvida que buscar informação é o primeiro passo para estar “conectado ao mundo” no tempo presente. Informação de qualidade está disponível nos grandes jornais impressos do Brasil e do mundo e, também, de forma prática através do google e outras ferramentas de busca na Internet. Pode-se dizer, nesse contexto, que a informação está a “um passo das nossas mãos”. Todavia, se a informação é imprescindível nos tempos modernos o uso que se faz dela, informação, é o que verdadeiramente faz a diferença. A grande questão é que só se faz bom uso de uma informação quem tem conhecimento suficiente para contextualizar essa informação. Saber o que aconteceu “na esquina” ou no Nepal não faz “diferença prática” se não houver conhecimento para entender e permear esse acontecimento com outras demandas aparentemente dissociáveis. Nesse sentido apenas a capacidade de fazer “ligações” e associações com informações aparentemente distintas permeia as pessoas e empresas de sucesso. A crucial diferença entre informação e conhecimento é que informação é uma mensagem unidimensional, limitada por sua forma: é um documento, imagem, discurso, genoma, receita, partitura musical. É algo que se pode embalar e enviar a qualquer um em qualquer lugar. O conhecimento, por sua vez, resulta da assimilação e conexão de informações por meio da experiência, em geral sob a tutela de um orientador. Nesse panorama o custo de obter, armazenar e transmitir a informação caiu vertiginosamente, mas o custo de fazer o mesmo com o conhecimento não diminuiu muito. Nem toda a tecnologia da informação do mundo, ao menos por ora, é capaz de acelerar a aquisição do conhecimento. Atualmente o tempo levado para aprender matemática, química ou inglês é o mesmo que há duzentos anos. O conhecimento ainda exige tempo. Adquiri-lo, retê-lo e transmiti-lo custa caro, o que é tão verdade para empresas e paises quanto para indivíduos. A sabedoria administrativa, nessa conjectura, seria um patamar entre o a informação e o conhecimento. Seria, de forma generalizada, um “modis operandis” de colocar a informação em “serviço próprio”. O exercício da verdadeira sabedoria, no mundo bussines, é ter máquinas e tecnologia de ponta, mas, concomitantemente, investir em recursos humanos - pessoas - para que aliados à informação e ao conhecimento possa-se chegar ao patamar da sabedoria empresarial. Todavia, o que se percebe de fato é que a maioria da população do planeta está fora do circuito da informação e do conhecimento. É imprescindível, portanto, que os governos, instituições e organizações entendam que o conhecimento e não apenas a informação é a chave da prosperidade para que a maioria dos habitantes do planeta não viva em um mundo à parte. Desconectados. Angélica de Oliveira Rissi é jornalista, empresária, especialista em História, possui MBA em Administração, é executiva internacional pela Universidade de Ohio, EUA, e cursa MBA em Marketing na FGV de Ribeirão Preto.

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