O pai de Adriana Telini Pedro balançou a cabeça tarde demais, e a advogada não se conteve na sessão da CPI do Tráfico de Armas, ao falar do grampo telefônico autorizado pela Justiça. “Foi autorizado por um juiz incompetente”, disparou. “Não foi um juiz da área criminal”. Um deputado chegou a tentar detalhar a afirmação, mas, advertida visualmente, ela olhou para o advogado e disse que ele é quem devia achar alguma coisa.
A arrogância da advogada foi a marca da audiência aberta ao público e à imprensa. Ela só não se complicou mais porque os parlamentares buscam exatamente delatores. Com a voz trêmula, inúmeras vezes ela alterou a voz e mostrou-se chorosa quando foi perguntada sobre um cliente chamado Zezinho. “O Zezinho, coitado...”, balbuciou antes de tomar água. “Foi condenado”.
Quando indagada sobre trecho relativo à ida de uma das clientes ao médico, ela atropelou o deputado Luiz Couto (PT-PB): “Uai, o senhor não está lendo?” Em outro momento, os parlamentares questionaram sobre um certo Bruno, interlocutor desconhecido na gravação, perguntaram quem era ele e o que fazia. “O Bruno trabalha”, respondeu diante de um parlamentar paciente. “Com o quê”, manteve o deputado. “Com representação”.
MEDO?
A cena mais tensa - e patética - foi protagonizada por ela e pelo deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), conhecido pela agressividade. Ele perguntava por que motivo ela, se sabia que estava grampeada, como era sua alegação para justificar a encomenda de crimes, não tomava mais cuidado ao falar com os bandidos? “O senhor está me dando uma dura? Eu aceito”, disse. “O senhor já me pôs na cruz. Pode pregar”.
Faria de Sá perguntou porque ela considerava estar na cruz. “A forma com que o senhor está questionando”, disse. “O senhor está sendo agressivo. Talvez é (sic) o jeito do senhor e eu não conheço”. O deputado argumentou que, se ela tivesse visto outros depoimentos tomados por ele, aí sim saberia o que é ser agressivo.
Foi nesse momento em que o relator da CPI, o deputado Neucimar Fraga (PL-ES), passou a perguntar se ela tinha medo. “Talvez eu tenha”, disse. O presidente Moroni Torgan declarou que medo ou se tem ou não. “Eu tenho”, retorquiu sem convicção.
Era a deixa que os parlamentares esperavam. Torgan pediu a palavra: “Sua versão não está convencendo ninguém aqui na CPI. Está completamente furada. Eu gostaria que falasse a verdade”. Adriana tentou resistir, dizer que não escondia nada, mas logo foi convencida. “Eu tenho medo”, declarou, após um cochicho com o relator.
Torgan prosseguiu em sua estratégia. “O depoimento não convence nem criancinha. Você disse a eles em qual rua seu cliente trabalhava. Colocou ele em risco. Por sorte ele não foi morto”. O presidente falava agora em tom mais alto. “A partir daí tu condenou o cara. Teve sorte é que a investigação estava em curso. Aqui não tem brincadeira, teste de coisa nenhuma” (a alegação dela para apontar onde moravam seus clientes era que estava testando se o celular estava grampeado).
E um deputado lança o anzol: “Medo de quem?” E Adriana: “O senhor não teria medo de uma pessoa que faz parte de uma suposta facção?” Isca mordida, Torgan insistiu: “Tem de usar a saída agora, fazer acordo com o Ministério Público”, argumentou. “Tu é uma advogada nova, entraste numa roubada total. Não sei se o “Perna” te enrolou...” E a advogada sucumbe: “Como posso falar isso na frente da televisão? E a vida da minha família?” Cai o pano, e Torgan anuncia a sessão reservada (ALC).
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