Adriana confessa tudo


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Adriana Telini presta depoimento na CPI do Tráfico de Armas ao lado do presidente e do relator da Comissão, Neucimar Fraga e Moroni Torgan: mentiras e arrogância no começo e delação total longe dos flashes e das C&
Adriana Telini presta depoimento na CPI do Tráfico de Armas ao lado do presidente e do relator da Comissão, Neucimar Fraga e Moroni Torgan: mentiras e arrogância no começo e delação total longe dos flashes e das C&
Amor e crime. Estes foram os ingredientes da história contada pela advogada Adriana Telini Pedro aos deputados da CPI do Tráfico de Armas, ontem, em Brasília. Nervosa, ela adentrou a sala vestida de preto e com uma cruz pendurada no pescoço. Começou a mentir durante a sessão aberta, alegando inocência, mas desistiu. Induzida pelos deputados, optou por “contar tudo” em uma sessão reservada, alegando medo de retaliação por parte dos membros do PCC em Franca. Saiu como ré-colaboradora. Os parlamentares querem os peixes mais graúdos do partido do crime. “Foi uma delação premiada”, declarou o deputado Neucimar Fraga (PL-ES), vice-presidente da CPI. Evandro Carlos de Farias era o chefe do PCC em Franca e tornou-se amante de Adriana. Com o tempo, a relação se desgastou. Enquanto isso, ela se tornava cúmplice de crimes diversos - como revelam as gravações divulgadas em 21 de maio deste ano, pelo Comércio, e depois divulgadas em redes nacionais. Ela chegou a depositar duas vezes R$ 20,00 numa conta do PCC no Bradesco, em novembro de 2004 e em fevereiro de 2005. Como membro do PCC. Mas, enquanto isso, o desgaste aumentava - entre Evandro e ela e entre Evandro e os chefões paulistas da organização criminosa. Hoje, o ex-amante de Adriana está no “seguro” - espécie de prisão em separado, destinada a delatores e malquistos no sistema carcerário -, marcado de morte pelo PCC, numa cadeia ou presídio da região. O novo chefe chama-se Vagão. Evandro mandou uma carta a Adriana há alguns meses, perguntando porque ela não lhe escrevia mais. Não obteve resposta. A advogada, conforme o relato dela própria aos parlamentares, seguiu refém dos bandidos. Queria sair, mas não podia. PROTEGIDA Por decisão da CPI, a Polícia Federal passará a proteger Adriana e seus pais. O pai de Adriana, Emer Pedro, compareceu à sessão aberta e se tornou, em determinado momento da audiência, um personagem em evidência. Por causa dos seus meneios de cabeça, que visavam a orientar a filha quando interpelada, o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) protestou, e o presidente da sessão, Moroni Torgan (PFL-CE), sugeriu que ele se assentasse na última fila, distante dos olhares da filha. O que foi feito. Enquanto isso, Adriana mentia. Nervosa, ela chegou a dar respostas ríspidas a alguns deputados e a bater boca com Faria de Sá. Diante das inúmeras contradições, Torgan exclamou a certa altura: “Nem uma criancinha acreditaria nesta versão, senhora”. Diante de uma recusa a falar o nome de um investigador de polícia que a teria avisado de que seu telefone estava grampeado, Faria de Sá novamente protestou, e houve até a possibilidade de ela ser presa. Mas os deputados encaminharam tudo de forma diferente. Para eles, que queriam obter informações sobre líderes do PCC, interessava proteger a advogada. Adriana foi convidada pelos parlamentares a dizer que estava com medo das possíveis retaliações do PCC - apesar de ela ter negado anteriormente que tinha conhecimento da ligação de qualquer cliente seu com a organização. Alegou que não podia contar tudo diante das câmeras. Foi a deixa para Torgan convocar uma “sessão reservada”. Faria de Sá votou contra inicialmente pela possibilidade de que o depoimento fosse vazado. SEM FLASHES Torgan criou então uma alternativa: uma “sessão privativa”, onde nada seria gravado. Foi nessa sessão que ela contou, supostamente, tudo o que sabia, conforme o relato de alguns presentes. Repórteres e câmeras ficaram de fora. Pelo “efeito Parreira”, ou o temor da leitura labial, nem registrar apenas as imagens as televisões puderam. Adriana ficou então de costas para a porta, de frente para os deputados e à frente de consultores legislativos e de agentes da Polícia Federal, e ao lado do pai. Aí ela admitiu tudo. Mudou de postura, deixou de culpar a imprensa por perseguição e confessou tudo o que fizera. O caso com Evandro, as relações com o PCC, a compra e entrega de mercadorias na cadeia, os depósitos bancários (a mensalidade não podia ser encaminhada em espécie), cada frase gravada e divulgada pelo Comércio da Franca. Confessou ter tido a iniciativa de passar a integrantes do “Partido” dados sobre seus clientes, para que eles fossem assaltados. Em outros momentos, porém, gravações mostrariam que ela também era ameaçada. E mais, a ponto de seu pai ter ficado surpreendido com várias informações relatadas aos deputados, pois nem a ele ela havia contado algumas coisas. “Muitos” advogados de Franca, nas palavras de um parlamentar que esteve na sessão privativa, estão na mesma situação dela, de refém. A CPI investiga atualmente o envolvimento de 34 advogados, em todo o Estado, com o crime organizado. Catorze já tiveram o sigilo bancário quebrado. A quebra do sigilo de Adriana também já foi requerida. Sem o amante e sem a carteirinha da OAB, Adriana agora passa a viver com a proteção da Polícia Federal. Disse que, com o dinheiro dos honorários, só conseguiu comprar dois computadores para o escritório. Os deputados afirmaram várias vezes que ela era uma “advogada jovem”, acenando com uma possível redenção, uma volta à advocacia mais à frente - mesmo na área criminal. “Para eles, nunca mais”, disse ela aos deputados. Alceu Luís Castilho Correspondente do Comércio em Brasília

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