O vice-presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga o tráfico de armas, o deputado federal Neucimar Fraga (PL-ES), pediu a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de 13 advogados supostamente envolvidos com o mundo do crime, incluindo na lista o nome da francana Adriana Telini Pedro, que é esperada para depor hoje, às 14 horas, na Câmara dos Deputados, em Brasília (leia matéria nesta página).
A quebra de sigilo, que será apreciada pela Justiça Federal de Brasília, tem como objetivo comprovar relações da advogada com bandidos integrantes de facções criminosas, ou se ao menos ela movimentava parte do caixa da facção criminosa. “Há indícios de ligação dela com o crime organizado e é por isso que a chamamos a depor em Brasília”, declarou o deputado, em entrevista exclusiva ao Comércio da Franca, ontem à noite.
As entradas da CPI e da Polícia Federal são mais uma etapa da evolução do caso, desde a primeira denúncia publicada pelo Comércio, no dia 21 de maio. Nas primeiras gravações, Adriana Telini foi flagrada pela polícia planejando roubos a clientes com bandidos presos na cadeia do Jardim Guanabara. Em outro trecho, a advogada, em conversa com o marginal Eurípedes Moura Júnior, vulgo “Perna”, chamou-o para se esconder na casa dela, após a fuga de “Perna” da cadeia do Guanabara, no dia 12 de junho de 2005.
Os episódios ganharam repercussão nacional no Jornal Nacional e no Fantástico, ambos programas jornalísticos da TV Globo. Autoridades do mundo jurídico repudiaram o comportamento da advogada, dentre os quais o governador de São Paulo, Cláudio Lembo; o presidente do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Roberto Busato, e o promotor de Justiça Fernando Capez. Enquanto isso, os presidentes da OAB local, Marco Aurélio Gilberti Filho, e da OAB estadual, Luiz Flávio Borges D’Urso, pouco falaram sobre o comportamento de Adriana Telini.
No dia 23 de junho, por 14 votos a favor, nenhum contra e três abstenções, Adriana Telini Pedro foi suspensa, preventivamente, por 90 dias, período no qual está proibida de exercer a atividade jurídica. No processo disciplinar, que continua em tramitação no Tribunal de Ética e Disciplina da OAB, Adriana pode ser punida até com a exclusão da categoria profissional.
O defensor de Adriana, Rui Engrácia Garcia, prometeu recorrer à Justiça, através de mandado de segurança, para garantir à advogada o direito de continuar trabalhando, mas até o momento não há registro de entrada de qualquer medida judicial nesse sentido.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.