Depois de mais de 20 anos, duas correntes internas do Sindicato dos Sapateiros de Franca devem disputar a presidência da entidade em eleição com mais de uma chapa. A ASS (Alternativa Sindical Socialista), liderada pelo presidente licenciado do sindicato, Paulo Afonso Ribeiro, e a CSD (CUT, Socialismo e Democracia), encabeçada por Milton da Silva, não conseguiram esta-belecer um pré-acordo no último sábado e devem brigar nos dias 7, 8 e 9 de agosto pelos votos dos mais de 3 mil filiados do sindicato.
As inscrições das chapas que desejam compor a diretoria do sindicato foram iniciadas ontem e vão até o dia 19. Na noite de quinta-feira, membros das duas correntes haviam acertado a formação de uma chapa única, mas o acordo acabou indo por água abaixo depois da convenção realizada no sábado à tarde. No encontro, houve desentendimento entre as partes e cada uma delas acusa a outra de ter quebrado o pré-acordo.
O motivo da discordância é admitido pelas duas correntes. A Alternativa Sindical Socialista, de Paulo Afonso, teria colocado em pauta ressalvas à CUT e ao posicionamento da CSD. “Eles ‘desceram o pau’ na CUT e na nossa corrente”, acusou Milton da Silva. “Fizemos considerações em relação à própria central e ao modo como alguns pontos dos direitos do trabalhador estão sendo tratados”, amenizou Paulo Afonso.
Diante das críticas, os membros da CSD ameaçaram abandonar o encontro caso elas não fossem retiradas. A ASS respondeu negativamente e a ameaça foi cumprida. “Nós não rompemos o acordo. Foram eles que não tiveram o esclarecimento suficiente para discutir as idéias e romperam com o acertado ao se retirar da convenção”, disse Paulo Afonso. Para Milton da Silva, não é tão simples assim. “Tudo estava acertado, mas eles faltaram com a ética e, quando tratamos de negociação, isso não tem volta”, disse.
A última tentativa de se montar mais de uma chapa para a disputa da presidência do sindicato ocorreu, sem sucesso, em 1994. Nos últimos vinte anos, nunca houve uma eleição com mais de uma chapa na entidade. Em 2006, tudo indica que o “tabu” será quebrado. “Montaremos uma chapa só nossa até o fim da semana”, disse Milton. “Nossa posição é a mesma. Temos nossas críticas e continuamos abertos a um acordo. Mas, se nada acontecer nas próximas horas, é provável que tenhamos uma eleição com dois concorrentes”, disse Paulo Afonso. No primeiro dia, nenhum dos dois grupos se inscreveu.
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