Italianos em Franca vibram com título após 24 anos


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O grito de campeão dos italianos e descendentes em Franca foi alto e em bom som. A seleção do “Coração Azul”, como está sendo chamado o time pela imprensa do país, deu alegria a quem está separado por um oceano de sua nação. E a possibilidade de levantar a taça ajudou a amenizar a pressão e o descontentamento dos torcedores com relação à crise instalada no futebol local, após suspeita de corrupção em partidas envolvendo equipes como Milan e Juventus. Ana Bovo, 18, que busca sua cidadania do país europeu e trabalha como secretária na Sociedade Italiana, disse ter sido difícil torcer para uma seleção que em sua casa todos estavam contra. “O pessoal queria ver a França campeã, mas eu não. No final, a comemoração foi minha”, disse ela. Devido ao lugar em que trabalha, a jovem aproveita para ouvir emissoras italianas e comentou que a vitória foi o assunto mais discutido. “O rádio vem dizendo o que aconteceu em campo. Como os jogadores mostravam sua garra em busca da vitória que não acontecia há 24 anos.” Com tanta atenção no assunto, ela mostrou que está entendida e comentou o que levou a seleção à vitória. “O Marcelo Lippi colocou dois volantes e atuou com tática”, comentou. Para ela, a provocação de Materazzi em Zidane teria sido armada para tentar desequilibrar a partida, o que aconteceu. “Durante a Copa do Mundo tudo é válido.” O esforço dos jogadores rendeu-lhes até uma troca de apelido de Azurra para Coração Azul. “Esse é como os radialistas têm chamado a seleção, mostrando o esforço de todos”, ressaltou. Já para um italiano nato, apesar de viver no Brasil há 50 anos, vencer foi um alívio e fim de um risco de infarto. Franco Sardini não conseguiu assistir ao jogo com medo de seu coração vivido sofrer. Foi para Ribeirão Preto com a mulher e nem quis ouvir a narração do gol de cabeça de Materazzi ou o impedimento que poderia livrar a cobrança de pênaltis. “Sei que quando cheguei em casa, um vizinho e os filhos estavam todos juntos, esperando para comemorar”, lembrou. Ontem, o aposentado era sinônimo de alegria. Ana Bovo, que chegou a atender Sardini pelo telefone, brincou que ele se apresentava ao telefone de uma forma cordial. “Quando atendeu disse: ‘quem fala aqui é um tetracampeão’”. A expulsão de Zidane, da qual ficou sabendo após assistir aos comentários da partida, foi vergonhosa. “Para a Itália nada pode ser fácil, haja vista a Copa de 1982, em que o time estava desacreditado como neste ano, mas no futebol tudo pode acontecer e agora somos campeões.” É Sardini, não há mais o que dizer, a não ser comemorar.

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