Indies, emos e outros produtos impróprios para maiores


| Tempo de leitura: 2 min
Qualquer um que goste de música e assista um pouco de MTV, já deve ter ouvido falar destas e de outras ‘tribos’ contemporâneas. Possuem uma forma de se vestir própria, música e comportamentos característicos. Peço desculpas aos leitores, mas não resistirei à tentação de começar esta crônica com um “chavão” paupérrimo, seguido de uma constatação fria: “A adolescência é uma fase muito complicada, mas é bom para o mercado que assim seja, consomem mais e irracionalmente”. Considero a primeira afirmação lugar-comum, pois se convencionou a adolescência como problemática, sem buscar compreendê-la de fato. Alguns minutos de reflexão sobre o assunto e chegaremos à conclusão de que não existe fase de nossa vida que não seja “complicada”, a diferença é que, de forma hipócrita, escondemos isso o máximo que podemos. Com relação à constatação exposta, basta partirmos do princípio básico de que o capitalismo “inventa” necessidades a fim de fazer girar a economia. Os jovens, alheios a estes e outros fenômenos, sedentos por uma identidade que lhes tornem aceitos no mundo que os cerca, se transformam em presas fáceis para a indústria da moda, musical, ou comportamental. Não adianta tentar aqui estabelecer as características básicas de cada “grupo” destes. Quem olhar “de longe” terá a impressão de que eles são muito parecidos, mas basta um exame mais preciso para chegar à conclusão de que são rigorosamente “iguais”! Que importa que as bandas prediletas sejam outras, ou que os acessórios de uns sejam considerados bugigangas pelos outros. Quando falamos em tribos, mesmo que inconscientemente, nos vem à mente o seu significado mais óbvio, que é cada uma das divisões de um povo. Ora, o povo é o mesmo! A temática das canções é a mesma e a forma de expressão também. Para resumir a conversa: não passam de rótulos, com prazo de validade curtíssimo. Em busca de descobrir quem é, o jovem se torna punk, grunge, hippie, gótico, harekrishira, cluber, mano, emo, indie e por vai. Depois de gastar uma pequena fortuna em roupas e cd´s, descobre que nunca foi nada disso e tudo isso ao mesmo tempo. Mas aí já vai ser hora de educar os próprios filhos. CARLOS AMORIM é historiador formado pela Unesp-Franca, professor, escritor e presidente da Associação Centro Cultural Casa do Estudante e autor de A Igreja do Diabo (Editora RGE, 2004)

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários