Agentes da Polícia Federal de Ribeirão Preto estiveram sexta-feira em Franca à procura da advogada Adriana Telini. Eles traziam a convocação para seu depoimento na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Tráfico de Armas, marcado para o próximo dia 11. A advogada não foi encontrada nos endereços residencial nem profissional, localizados no Centro da cidade.
Conforme matéria divulgada com exclusividade pelo Comércio da Franca de sábado, de acordo com o documento da convocação, “em caso de não comparecimento, haverá solicitação à Polícia Federal para condução coercitiva da depoente”.
Em um procedimento normal da PF, os agentes voltariam a procurar a advogada para uma nova tentativa de entregar a intimação, mas como se trata de um pedido da CPI, a polícia francana não sabe ao certo o que acontecerá nos próximos dias. Na Polícia Federal de Ribeirão Preto não havia ninguém ontem, sábado, que pudesse esclarecer quais devem ser os próximos passos.
Desde quando foi feito o pedido de prisão preventiva de Adriana, rumores insistentes circulam pela cidade dando conta de que ela teria fugido para a Itália. O advogado de Telini, Rui Engrácia Garcia, disse que ainda não tomou conhecimento da convocação, mas garantiu que sua cliente está em Franca, sem maiores detalhes. (Leia mais em texto nessa página).
A decisão pela convocação da advogada foi tomada no último dia 24 pelo presidente da CPI, o deputado federal Moroni Torgan (PFL/CE). Na semana passada, a Polícia Civil de Franca recebeu uma solicitação para enviar toda a documentação referente às investigações que envolvem Telini. Segundo o ofício, as informações servirão para fundamentar melhor os trabalhos investigatórios.
A Comissão foi criada em março deste ano pela Câmara dos Deputados para investigar organizações criminosas do tráfico de armas. No início de setembro os trabalhos devem ser concluídos com a elaboração e votação de um relatório sobre tudo o que foi investigado.
Para o diretor da Faculdade de Direito de Franca, Euclides Celso Berardo, as investigações da CPI e os processos contra a advogada que correm na Justiça são independentes. “No fim, um procedimento pode servir de base para o outro e os fatos podem até se cruzar, mas são situações distintas de apuração”. O presidente da OAB de Franca preferiu, mais uma vez, não falar sobre o assunto. Segundo ele, “o caso já saiu de nossa alçada e está no Tribunal de Ética da Ordem”.
INVESTIGAÇÕES
As investigações da Polícia Civil já foram concluídas no caso da advogada francana. Os inquéritos foram enviados à Justiça e três processos serão julgados na 3ª Vara Criminal de Ribeirão Preto. Ela é acusada de associação para o tráfico de drogas, formação de quadrilha e estelionato.
Pelas duas primeiras acusações foi pedida a prisão preventiva de Telini. Para os delegados que conduziram as investigações, a decisão evitaria que ela entrasse em contato com bandidos e pudesse praticar novos crimes, e asseguraria a conveniência da instrução criminal, ou seja, evitaria que testemunhas, que prestaram depoimentos na fase policial das investigações e serão ouvidas pela Justiça, sejam ameaçadas e obrigadas a mudar as declarações.
A prisão preventiva seria, também, uma medida de precaução pra evitar que a acusada deixasse a cidade, ou o País. O delegado seccional de Franca, Maury de Camargo Segui, no entanto, não acredita que Telini tente fugir, em que pesem os rumores.
“Temos que analisar o medo dela escapar como um conjunto. Tudo que ela tem está aqui, família e trabalho. Uma pessoa como ela, que tem vínculos familiares, não some assim, simplesmente. E ela tem um advogado para orientá-la, que sabe que se ela desaparecer a situação fica muito mais complicada, porque a Justiça presumirá que ela é culpada”.
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