O futebol e a política


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A Copa do Mundo 2006, que hoje termina, nos deixou tristes pelo fracasso de nossa “Seleção”. Com realismo, verificamos que o brilho de outras conquistas sucumbiu aos erros dos responsáveis pela sua formação, ocasionando o eclipse de nossos atletas. Talvez nos consolem as derrotas de Inglaterra e Alemanha, o que se explica pela fatalidade que existe em competições esportivas. No Brasil, exatamente após a Copa, a paisagem social se enche de sombras no atinente à vida política. Estamos a três meses das eleições presidenciais e estaduais. E a opinião pública está se preocupando com certas notícias inquietadoras. Todo observador atento pode verificar como causa temor a relação de fatos, diariamente apontados pela mídia. Há fatos graves e surpreendentes no embate político. Uma observação causa surpresa. “Lula fará campanha em avião presidencial”, anuncia a manchete da Folha de S.Paulo. E por que surpreende? Por violar o Estatuto da Vida política, não só porque usa bens do Estado para uso de candidato, como porque viola o princípio da igualdade de oportunidades. Por ser um político de pouca cultura, de partido mergulhado em corrupção, e de companheiros ambiciosos, os fatos negativos devem ser apontados. Uma outra observação: o Congresso Nacional acaba de decidir que, até as eleições, passará a funcionar três dias por mês. Como ficará, assim, o dever de fiscalizar os erros da administração, o funcionamento da máquina política oficial e as possíveis fraudes eleitorais nas batalhas destes três meses? E, principalmente, agora, quando “Tesoureiro de Lula é suspeito de receber do valerioduto”, como denuncia a imprensa? Na verdade, imprensa e televisão dão-nos ainda notícias tão graves quanto essas. No “Estadão”, do dia 3 último, lê-se esta manchete: “20% do Congresso está sob investigação”. As denúncias são de falsificação, contrabando ou furto! Nunca a História Política do Brasil registrou tantos casos de criminalidade no Senado e Câmara. É penoso lembrar, nestes dias sóbrios, a frase de Sérgio Buarque de Holanda, em sua obra Raízes do Brasil: “A democracia no Brasil foi sempre um lamentável mal-entendido”. Cultura, civismo e determinação, nas próximas eleições, devem ser a força motriz de nossas escolhas políticas.

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