Cláudio Lembo


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<p>Três meses após assumir o comando do Estado de São Paulo, o ex-vice, Cláudio Lembo, está muito mais confortá-vel no cargo. O semblante tranqüilo e a voz pausada são os mesmos de quando era apenas o suplente de Geraldo Alckmin, mas o teor dos discursos em nada mais lembra o comandante reticente que enfrentou a maior crise da história da segurança pública 44 dias depois de assumir a direção do Estado mais importante do País.<br />Firme, seguro e pertinente nas palavras, Lembo fez o discurso mais aplaudido na abertura da Francal, na última terça-feira, quando criticou a concorrência chinesa, que classifica como desleal. “Basta de palavras bonitas”, sentenciou, cobrando mais ação do governo federal na defesa do produto brasileiro. Anunciou também que pretende reduzir a alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) no varejo calçadista, determinando o imediato estudo do assunto. <br />No estande do Comércio/Difusora, o governador manteve a firmeza nas palavras, mas mostrou bom humor e simpatia na entrevista concedida ao jornal e à rádio. “É uma casa que me acolhe bem sempre que vou a Franca”, disse o governador. Também no estande, Cláudio Lembo elogiou o trabalho do seu companheiro de partido, o deputado estadual Gilson de Souza (PFL), autor do projeto que pretende reduzir o ICMS para os lojistas do setor calçadista, e disse que “acredita na reeleição de um deputado honrado e trabalhador”.<br />Advogado há mais de 45 anos e com experiência na vida pública, Lembo não deixou de engrossar o coro dos que criticam a atuação de advogados a serviço do crime. “Bandido que trabalha para bandido tem que ser preso”.<br />Lembo confirmou também que estará em Franca no dia 2 de setembro, quando participará da festa promovida pelo Comércio para premiar as empresas vencedoras do Prêmio Top of Mind. “Podem preparar o cafezinho que estarei lá”.<br />Colaboraram Edson Arantes e Cíntia Flávia </p> <p><strong>Comércio da Franca - O senhor já pensa em um incentivo a mais para o calçado de Franca?<br />Cláudio Lembo -</strong> No discurso que fiz no lançamento da Francal (terça-feira), propus-me a fazer um estudo sobre o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) no comércio do sapato. Na indústria, o governador Geraldo Alckmin já havia reduzido a alíquota incidente de 18% para 12%, graças a um incessante trabalho do deputado Gilson de Souza (PFL). Vamos ver o que podemos fazer na cadeia produtiva, reduzindo também a porcentagem do ICMS sobre o comércio de calçados, na ponta final da cadeia produtiva. Vamos realizar um bom estudo e chegaremos a um resultado a contento.<br /> <br /><strong>Comércio - Há previsão para que a redução da alíquota aconteça em breve?<br />Lembo -</strong> Não quero ser precipitado, mas prometo começar logo. Quero analisar o tema com os nossos secretários de Fazenda e Planejamento (Luiz Tacca Júnior e Fernando Carvalho Braga, respectivamente). No que for possível, faremos todos os esforços para obtermos a redução da alíquota.<br /><strong> <br />Comércio - Além desta medida, o senhor teria algum outro plano para melhorar o volume de exportação e emprego do setor calçadista?<br />Lembo -</strong> O governador Geraldo Alckmin fez obras importantes para o setor, como a instalação e ampliação de escolas técnicas na área de produção de calçados. E poderemos fazer mais, como uma grande pressão no comércio internacional. Não é justo que alguns países que não dão as mesmas garantias e proteção aos trabalhadores como o Brasil façam grandes dumpings internacionais, vendendo a preços abaixo dos custos e prejudicando países concorrentes como o Brasil. Temos que protestar mais junto à Organização Mundial do Comércio, o que o governo atual não tem feito. Infelizmente, a nossa diplomacia tem permitido que um país, particularmente a China, avance, dentro de um princípio de globalização, mas avance ignorando direitos concedidos aos trabalhadores em países como o Brasil.<br /> <br /><strong>Comércio - Ainda dentro dessa visão de concorrência desleal, como combater a guerra fiscal entre Estados?<br />Lembo -</strong> A guerra fiscal, como acontecia há alguns anos, não existe mais. O STF (Supremo Tribunal Federal) tem sido duro com Estados que têm tentado obter vantagens reduzindo impostos e prejudicando outros entes federativos. Isso é bom porque a guerra fiscal é absolutamente imoral, ilícita e rompe todo o princípio federativo. O Supremo, como uma corte que deve incentivar a integração do País, foi feliz nesse sentido. Mas ainda temos problemas por causa das isenções de ICMS concedidas por alguns Estados em anos anteriores. Mas São Paulo tem sido duro.<br /> <br /><strong>Comércio - Em relação às próximas eleições para a Presidência da República, com o crescimento de Geraldo Alckmin nas pesquisas, o quadro de favoritismo a Lula pode mudar?<br />Lembo -</strong> O presidente Lula caiu do Planalto e voltou para a planície. E na planície, somos todos iguais. Agora ele vai ver o que é uma campanha política à reeleição. Vem a firmeza das palavras, o povo começará a fazer reflexões, assistirá aos programas eleitorais e tirará as suas conclusões após ouvir os candidatos. Um deles, o Geraldo Alckmin, o meu candidato, tem o que dizer. Lula, por sua vez, já disse tudo, mas não deu bons exemplos durante os quatro anos de seu mandato.<br /> <br /><strong>Comércio - Na sua avaliação, quais são as chances de reeleição do deputado Gilson de Souza, seu companheiro de partido e amigo particular?<br />Lembo -</strong> Neste primeiro mandato, Gilson de Souza representou a região de Franca de uma maneira muito ativa. É bom que pessoas como ele permaneçam na política. Ele é honrado e trabalhador, um exemplo para todos nós. Estarei com o Gilson percorrendo a região e o apoiando porque admiro muito o seu trabalho.<br /> <br /><strong>Comércio - Ele lidera as pesquisas em Franca com 46,2% das intenções de voto, de acordo com levantamento ‘Comércio’/Datalink. Um índice considerável, podemos dizer?<br />Lembo -</strong> Um índice excepcional. Isso mostra o prestígio que o deputado Gilson de Souza alcançou em Franca e que o povo francano sabe mesmo fazer as reflexões políticas necessárias para escolher bem os seus representantes.<br /> <br /><strong>Comércio - O senhor foi secretário dos Negócios Jurídicos do prefeito da capital, Jânio Quadros, entre 1986 e 88. Recentemente, tivemos dois advogados presos por tentarem introduzir aparelhos de telefones celulares em um presídio. E a advogada francana Adriana Telini Pedro foi suspensa preventivamente por 90 dias pela OAB por envolvimento com bandidos. Qual a sua avaliação sobre o momento vivido pela classe hoje?<br />Lembo -</strong> Infelizmente, é um tema muito amargo. Quando assumi o governo de São Paulo, disse que algumas ONGs (Organizações Não-governamentais de defesa dos direitos humanos) e advogados estavam agindo de forma errada nos presídios de São Paulo. E fui muito criticado por conta das minhas declarações. Mas, infelizmente, estava certo porque sabia o que ocorria dentro dos presídios de São Paulo. A OAB agiu muito bem, assim como o Poder Judiciário, que tem decretado prisão preventiva dos maus advogados. Bandido que trabalha para bandido tem que ser preso.<br /> <br /><strong>Comércio - Já há uma visita marcada para Franca?<br />Lembo -</strong> Sim, estaremos na grande festa do Comércio da Franca no dia 2 de setembro (na entrega dos prêmios da pesquisa ‘Top of Mind’, cujos resultados foram divulgados na edição de 25 de junho). O Comércio é um jornal onde tenho amigos e que sempre me recebe muito bem em Franca. É um dos bastiões democráticos da região e não poderei faltar à festa que acontecerá no dia 2 de setembro. Este compromisso já está na minha agenda. Podem preparar o cafezinho que eu estarei lá.</p>

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