Vamos pular!


| Tempo de leitura: 3 min
O ano tem 365 dias porque esse é mais ou menos o tempo que a Terra demora para dar uma volta completa em torno do Sol, correto? Sim. Mas isso vai mudar se depender do empenho dos simpatizantes do Dia Mundial do Pulo, marcado para o dia 20 de julho de 2006. Há dois anos, pesquisadores da Universidade de Munique, na Alemanha, publicaram um estudo informando que a Terra poderia sofrer uma mudança em sua órbita ao redor do sol, caso acontecesse um grande deslocamento simultâneo de pessoas. O físico Hans Niesward, professor do Departamento de Física Gravitacional daquela universidade, calculou que, se 600 milhões de pessoas em um mesmo hemisfério pulassem ao mesmo tempo, o planeta se deslocaria, mudando seu tradicional trajeto orbital (veja ilustração abaixo). Em sua, digamos, “inovadora” teoria, caso as pessoas desse hemisfério pulassem quando esse lado do mundo estivesse voltado para o sol (ou seja, durante o dia), a terra se afastaria do Astro Rei, passando a fazer um percurso mais longo. Por mais incrível que possa parecer, conquistou adeptos. Com a órbita maior, a Terra demoraria mais tempo para completar uma volta ao redor do sol, mas, estando mais longe do “foguento”, o problema do aquecimento global, do efeito estufa e do derretimento das geleiras poderiam ser resolvidos. Os cientistas chegaram a essas conclusões analisando verificações sismológicas de quedas de meteoritos na Terra, como o meteorito Joulos, que atingiu o Pacífico em março de 2001 e de grandes movimentações simultâneas de pessoas, como comemoração dos brasileiros após final da Copa do Mundo de 2002, que saíram pulando pelas ruas do País ao mesmo tempo. Niesward pesquisou e chegou à conclusão de que o melhor momento para que essas 600 milhões de pessoas pulem simultaneamente seria no dia 20 de julho de 2006, às 08:39:13 (horário de Brasília). Por mais absurdo que a idéia seja, o projeto World Jump Day (Dia Mundial do Pulo) tem um site na Internet (www.worldjumpday.org), com vídeos explicativos com o próprio professor Niesward. Mas, a proposta desperta polêmicas. Dr. Niesward passou a evitar a imprensa quando essa passou a levantar questões como: “O Dia do Pulo poderia causar algum efeito colateral como tsunamis, terremotos, choque da Terra com a Lua, resfriamento excessivo do planeta, ou alguma outra alteração catastrófica?” Ou: “E se as pessoas estiverem mal distribuídas, mais pessoas no norte do que no sul, por exemplo, o eixo da Terra não seria alterado drasticamente, de modo a alterar por completo as estações do ano, levando ao desaparecimento de todos os ecossistemas do planeta por não adaptação do ciclos biológico a essas novas condições?” A reportagem do Comércio não conseguiu falar com esse cientista maluco que, em poucos meses, saiu do anonimato e se tornou celebridade na Internet, para perguntar: “Você não acha que o pulo poderia causar microterremotos capazes de pôr a baixo por completo os prédios históricos da Unesp-Franca e do Colégio Champagnat, que já estão caindo aos pedaços graças ao catastrófico descaso das autoridades?” A procupação tem seu fundamento. Em 1995, londrinos se assustaram e contataram as autoridades locais por sentirem tremores sacudir suas casas. Mas a geóloga do governo britânico, Alice Walker, afirmou que a culpa era dos roqueiros do Oasis. Há alguns quilômetros dos bairros de onde se originaram as chamadas telefônicas à Scotland Yard, a banda dos irmãos Gallagher fazia mais de 20 mil fãs pularem simultaneamente ao som de suas músicas. Mas as perguntas sobre as conseqüencias, boas e ruins (ou se não vai fazer a mínima diferença), do dia Dia Mundial do Pulo só poderão ser respondidas na quinta-feira da semana que vem, mais exatamente às oito horas, trinta e nove minutos e treze segundos da manhã, isso é, se os cientistas de Munique convencerem um décimo da humanidade a pular ao mesmo tempo.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários