Garantia de pagamento é preocupação pós-Francal


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Para que as vendas acertadas durante a Francal 2006 comecem a ser produzidas e cheguem aos compradores, muitos passos ainda precisam ser dados. Entre eles, a garantia de que os calçadistas receberão pelo produto vendido é a principal preocupação. Os casos de calote não são incomuns. A simples consulta a órgãos de proteção ao crédito, modo de preservação mais usado, não é suficiente para garantir tranqüilidade aos fabricantes. Muitos empresários consultam apenas órgãos especializados em proteção ao crédito para evitar o calote. “Quando existe um representante na região, é feita, sim, uma análise. Mas, normalmente, é apenas a pesquisa no Serasa (Serviço de Proteção ao Crédito), no SCI (Serviço de Segurança ao Crédito), que é feita”, disse Carlos Alberto Fidalgo, proprietário da Calçados Fidalgo, de Franca. Mesmo com a sondagem, muitas vezes não é possível saber se quem compra realmente poderá pagar a encomenda. O diretor da Calçados Daiane Borcati, Valdemir Machado, conta que já sofreu prejuízos com vendas fechadas durante uma Francal sem a devida pesquisa sobre o comprador. “No ano passado, fechamos um pedido de 1.500 pares de um chinelo para um lojista da Bahia. Ele pagou apenas duas das quatro parcelas. Não deu para cobrir nem mesmo o custo do material”. Agora, a Daiane Borcati, empresa de Novo Hamburgo (RS), aprendeu a lição. “Neste ano, tivemos o cuidado de só vender para regiões em que temos representantes. Não deixamos de nos cercar com as informações dos órgãos próprios de proteção ao crédito. Outra coisa que ajuda é ouvir colegas que podem conhecer a empresa compradora. Mas apenas a consulta aos órgãos não basta. Por mais bem feito que façam, sempre há alguma coisa que escapa”, disse Machado. Antônio José Gonçalves é outro que mudou sua forma de vender. Há dois anos, o diretor da Calçados Abruzzo, de Franca, fechou um pedido de 196 pares. “A pessoa veio, comprou o produto. A gente pesquisou o crédito e estava tudo perfeitamente legal. Despachamos o produto. Depois, descobrimos que a loja não existia mais”, disse. Mesmo pequeno, o prejuízo serviu de lição. Agora a Abruzzo não corre mais riscos. Os pedidos feitos na feira são levados para a fábrica, mas só são confirmados por meio de pagamento antecipado. Para o início da produção o comprador precisa depositar 30% do valor do negócio. Para o despacho dos calçados prontos, os 70% restantes. “Já caímos uma vez, mas hoje não mais”, disse Gonçalves (WT).

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