Os três processos contra a advogada Adriana Telini que tramitam em Franca passam a ser de responsabilidade da 3ª Vara Criminal da Comarca de Ribeirão Preto. O juiz que assumiu estes processos, doutor Guaccy Sibille Leite, foi nomeado pelo Conselho Superior da Magistratura do Estado.
Será ele o responsável por analisar os dois pedidos de prisão preventiva existentes contra a advogada nos inquéritos instaurados por associação para o tráfico de drogas e formação de quadrilha. O caso foi parar nas mãos do juiz ribeirão-pretano, após dois juizes da Comarca de Franca se considerarem impedidos para julgar os processos em que figura como ré a advogada.
O primeiro a declarar sua suspeição foi o juiz da 3ª Vara Criminal, Luiz Pinheiro Sampaio. No final do mês passado, ele oficiou ao Tribunal de Justiça de São Paulo, que acatou a sua justificativa. Em seguida, foi designado o magistrado Luciano Franchi Lemes, que também encaminhou à instância superior o mesmo pedido, o qual foi acatado na semana passada. Os motivos alegados pelos juízes para deixarem o caso são confidenciais.
Os processos criminais contra a advogada Adriana Telini ainda estão em fase de instrução, mas existem dois pedidos de prisão preventiva que devem ser analisados, agora, pelo magistrado da Comarca de Ribeirão Preto.
INVESTIGAÇÃO
Durante meses, desde junho do ano passado, a Polícia investigou o envolvimento da advogada francana com bandidos ligados a facções criminosas. Através de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, agentes da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) flagraram Adriana Telini Pedro combinando como esconderia, em sua casa, o bandido Eurípedes Moura Júnior, vulgo “Perna”, depois que este fugiu da cadeia do Jardim Guanabara.
Na mesma gravação, cujos trechos principais foram publicados na edição do dia 21 de maio do Comércio, descobriu-se que Adriana tentou indicar a “Perna” onde se encontrava uma de suas clientes que acabara de receber, em seu escritório, R$ 20 mil, relativos a uma partilha de separação judicial. Apesar da orientação da advogada, o assalto não chegou a ser consumado.
O Comércio publicou ainda uma seqüência de gravações, dentre as quais Adriana Telini Pedro telefonou para a filha de um bandido preso na cadeia do Jardim Guanabara, indicando o local onde o pai havia enterrado uma considerável quantidade de maconha.
Apesar da gravidade dos fatos, o caso era tratado com lentidão. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), em Franca, não havia sequer se manifestado sobre o assunto. As investigações ganharam fôlego a partir da publicação pelo Comércio da Franca da transcrição dos grampos telefônicos. As conversas entre Adriana Telini e os criminosos tiveram repercussão nacional e a sociedade pressionou por medidas de apuração.
A subseção local da Ordem tinha conhecimento do inquérito há meses, mas só pediu a suspensão preventiva da profissional aliada ao crime depois que as gravações foram publicadas pelo Comércio. No dia 22 de junho de 2006, a advogada foi julgada pelo tribunal de ética e proibida de exercer as atividades por 90 dias.
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