A Nação entrou em campo


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A nação entrou em campo, esteve em jogo, perdeu e saiu ferida. Num País que impõe aos seus derrotas mil, quiçá no futebol pudéssemos ter içado a auto-estima, fortalecido o sentimento nacional. Especialmente, em ano eleitoral. Talvez melhor não, chega de ilusionismos. Frustrações vêm e vão, desde muito antes da república, mas deixemos este como marco de reflexão. O futebol é coisa de todos, habita o íntimo tupiniquim, é o desponte do oprimido, desprovido; dos mais fervorosos aos mais reticentes, mas habita a todos, inevitavelmente. De quatro em quatro - aludindo ao campeonato/guerra, ao jogo/batalha perdidos -, dessa vez não foi Napoleão quem sucumbiu. Batalhas em arenas modernas: os estádios. Os povos se juntam, os povos se digladiam, sob a égide da civilidade. Tudo está posto em jogo, a batalha resulta em perda desonrosa ou em revigorante vitória. A historiografia não atribui menos importância às mentalidades, ao desejo privado ou ao intangível psicossocial, que aos registros fáticos, econômicos ou mais facilmente mensuráveis. Berço da ideologia da coisa pública, a França não perdoou quem não assimilou a lição iluminista. Importada do velho mundo, trazida a lume no pós-trevas, a implantação frustrante do novo regime em fins do século XIX no Brasil foi uma aquartelada, capengou, mas perpetuou-se, mais pela inércia política de um povo bestializado do que por um novo ideário republicano. Nunca nos juntamos. A história se repete, ela é cíclica e estrutural, faz ranger, mas não se permite ao drible. A República que não foi é o fantasma de uma nação sem alma que se aglutina - de quatro em quatro -nas arquibancadas da disputa moderna. Há pouco mais de cem anos, a instalação do regime republicano -cujo berço idealizador foi a França - no Brasil teve uns alguns amarelados protagonistas e um tanto de poucos outros curiosos, a isso se limitando a participação popular àquela época. A inércia política de Deodoro, conduzido por um movimento militar de suspeitos interesses rescaldados da guerra do Paraguai, faz lembrar a alienação dos atuais futebolistas milionários. Ao longo dos anos, não se pôde construir heróis da República de uns poucos, tampouco travesti-los de bermudas para todos. Segue o seco, sem que se simbolize o verdadeiro brasileiro. Pés firmes, olhos no horizonte e perseverança, a lide é o duro e real jogo de nossas vidas, das quais somos técnicos e titulares absolutos. ADAUTO FERNANDO CASANOVA é acadêmico de Direito na Universidade de Franca, graduado em História pela Unesp-Franca e pós-graduado em Administração pela UFMG.

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