Brinquedo e arte


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Retalhos de pano com poucos centímetros, lantejoulas, miçangas, linha e agulha. Esses são os principais instrumentos de trabalho das irmãs Dirce Regina Parisotti, 49, e Eliza Tereza Parisotti, 59. Há cerca de um ano, elas resolveram dedicar os seus dias ao que mais gostam: as bonecas. Juntas, moldam, costuram e bordam vestidos e todos os acessórios da casa das bonecas, como almofadas, cortinas, toalhas de mesa, tapete, panos de prato e até mesmo o porta-papel higiênico. É um mundo em miniatura (com um metro de tecido conseguem fazer até três vestidos). Afinal, a boneca medida que elas usam para o trabalho é a Barbie, que tem menos de 30 centímetros. Eliza é professora de educação física aposentada e Dirce é uma administradora de empresas que desistiu dos escritórios fechados. Hoje, cada uma tem um lugar em sua casa reservado para o artesanato. A paixão pelas bonecas começou quando ainda eram crianças, claro. Eliza sempre fazia roupas para as bonecas da irmã, dez anos mais nova. Um dia, se cansou e resolveu ensiná-la a costurar. Então a própria Dirce vestia os brinquedos. Depois veio a adolescência e a juventude e brincar de boneca já não era mais o programa preferido das irmãs. Mas a paixão continuou. Dirce fazia as roupas, enchia caixas de sapatos e doava para outras crianças. Depois vieram as filhas e a produção de roupas passou a ser direcionada para elas. Agora, as irmãs dividem o que fazem com quem quiser. Transformaram a paixão em negócio e vendem as roupas e acessórios que produzem. Como o trabalho se mistura com prazer, não é difícil elas bordarem até as 2 horas (isso mesmo, de madrugada!). “A gente nem vê o tempo passar”, diz Eliza. Mas isso não significa que o trabalho não seja perfeccionista. As irmãs se recusam a usar cola nos vestidos – por isso todos são bordados à mão – e preocupam-se com o acabamento. “O avesso é perfeito. Não tem aquelas linhas que passam pelo vestido de uma ponta a outra”, dizem. Além disso, é comum refazerem o trabalho. “Se não ficar bom, estiver torto ou frouxo, a gente faz novamente”, diz Dirce. São centenas de modelos que elas criam. E todos são exclusivos. Não dá para fazer um igual ao outro, já que a produção não é industrial. A inspiração para cada modelo depende do tecido que elas têm em mãos e do momento. “Às vezes eu sonho com o que vou fazer e no dia seguinte executo”, conta Eliza. Elas usam desde tecidos lisos e jeans até couro e seda pura. “Há modelos para todos os gostos”, contam. Em época de Copa, por exemplo, fizeram vários modelos em verde e amarelo. Para ajudar, as irmãs contam com a ajuda da mãe, de 83 anos, que faz questão de fazer todos os bicos de crochê e panos de prato da Barbie. Paixão por bonecas é algo que passa de mãe para filha. CASA COMPLETA Para completar a casa das bonecas, elas contam com a ajuda de uma marcenaria e de uma amiga que faz trabalhos em biscuit. Os marceneiros fazem a casa, os móveis e alguns acessórios. Há até mesmo um banheiro, com pia e vaso sanitário feito em madeira, e uma lavanderia, com máquina de lavar e secar. A elas, fica a responsabilidade pela pintura de tudo isso, colocação de almofadas nos sofás e poltronas, cortinas, toalhas das mesas, etc. No caso dos biscuits, são usados para os vasos de flores e comidas, como maçã-do-amor, espetinho de churrasco, frango assado, frutas, etc. “Não damos conta de fazer tudo. Por isso terceirizamos alguns serviços. Mas fazemos questão de sempre dar o nosso toque pessoal com os acabamentos”, conta Dirce.

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