Foi uma manifestação silenciosa, de corpo presente e discursos simples, mas carregada de críticas. Assim, durante uma sessão fria, com cinco assuntos desimportantes, dois deles adiados, membros de entidades assistenciais de Franca fizeram uma “manifestação de repúdio” à saída de Maria Inês Toselo Archetti da pasta de Desenvolvimento Humano e Ação Social, graças à força da Lei antinepotismo. Duas manifestantes, que representavam várias entidades e outras 30 mulheres presentes à Câmara, usaram a tribuna do plenário para falar e deixaram os vereadores visivelmente incomodados. As palavras foram ouvidas em silêncio e não houve comentários.
Maria Inês Archetti deixa a Secretaria de Ação Social no dia 9 de julho, por força da Lei antinepotismo, aprovada no dia 11 de abril deste ano. Nela, consta que nenhum parente - até terceiro grau - de membros do Executivo pode ocupar cargos de confiança. Maria Inês é mulher do vice-prefeito de Franca, Ary Balieiro.
Em nenhum momento as manifestantes criticaram a lei, ou sua criação pelos vereadores. Geneci Maria Dias, do Conselho Municipal da Pessoa Portadora de Deficiência, leu uma carta de agradecimento e despedida à secretária. “Obrigada pelo belo trabalho à frente da Secretaria”, disse ela, que é surda e aprendeu a falar após trabalhos assistenciais.
A advogada Maria Rafaela Junqueira Rodrigues foi mais contundente. Em discurso sucinto e firme, deixou claro o descontentamento do grupo envolvido com a área social da cidade. “Maria Inês Archetti foi relegada ao simples posto de ‘mulher do vice-prefeito’. Isso não é demérito para o casal, mas ela era muito mais do que isso. Ela tem uma história de luta pela área social de Franca. E agora, perdemos sua experiência”, disse.
Com uma platéia de representantes de diversas entidades e, inclusive, portadores de deficiência atendidos por ela, Maria Rafaela concluiu seu discurso dizendo que, em sua opinião, a decisão de afastar a secretária foi política, mas não foi levada em conta a importância da representatividade da mulher. “Nós, mulheres, não podemos aceitar isso. Afinal, representamos 51% do eleitorado francano”, disse.
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