Política e copa, mera semelhança?


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Primeiramente, apontemos: Câmaras de Vereadores, Assembléias Legislativas, Congresso Nacional, e claro, não poderia faltar, os Poderes Executivos nas respectivas esferas governamentais, onde alguns se enquadrarão logo mais abaixo. Em segundo lugar, abordemos agora outra área. Estamos em plena e polvorosa competição, uma das mais importantes do mundo que é a Copa futebolística. Muitos interesses permeiam esse jogo entre nações, dentre eles: projeção de governos, valorização de jogadores no mercado; patrocinadores “ditadores” que dão as cartas e cobram os resultados antecipadamente acertados em algum porão infestado de seus pares-ratazanas. Alguma semelhança com algo que já conhecemos por aqui no Terceiro Mundo? Talvez, quando visto pelo prisma que “alguns” homens são corruptíveis e imperfeitos no caráter, capazes de decepcionar “sorrindo” um povo e empregando uma decoreba de palavras evasivas e atenuadoras com o objetivo descarado de justificar o injustificável. Hoje em dia poucas coisas são criadas, planos de ações estratégicas para disputas de diversas ordens são mais facilmente copiadas e aplicadas pelo resultado comprovado que oferecem sucesso a grupos que insistem em tão somente iludir, lucrar e mais tarde lucrar de novo de forma cíclica e “quase” perpetuante com toda a coisa que mais parece um estelionato do que algo próximo daquilo que teria de ser justo, honesto, sincero e transparente. Assim, podemos considerar as “meras” semelhanças que o futebol e a política podem ter quando avaliados profundamente sem parcialidades e paixões. Um paralelo interessante rebenta nas consciências num momento oportuno como este que nos remete ao pensamento da familiaridade dos atos e ações de uma Copa do Mundo como foi demonstrado pela nossa (supostamente) frágil, anêmica e impotente seleção, comparando com a nossa doente e frustrante democracia-titubeante, que sempre parece que vai chegar à resultados satisfatórios e nunca chega. A política é um jogo, jogo este disputado em plenários. O Poder Legislativo (considerado aqui como jogadores representantes do povo) que deveria agir criando leis que viabilizem melhorias para a sociedade se dobra ao Executivo de uma cidade, estado ou nação, traindo eleitores e prevaricando no seu dever; já o Executivo (visto aqui como aquele que planeja e executa), tem seus compromissos com forças que o ajudaram eleger-se um dia ou que darão manutenção a ele para que sobreviva, ignorando quase que por completo o seu compromisso com o seu povo. Por trás disto tudo, apresentemos os grandes detentores dos manjares que deveriam ser do povo: os “lobos” que fazem uso das sombras para ficarem ocultos, patrocinadores-corruptores do espetáculo que lucram muito com todo esquema armado e bem articulado dos atores participantes. Mexendo as peças certas do tabuleiro político ou esportivo, os “reis com seus peões” de um jogo subentendido sob a égide da “representatividade”, independente do nível em que os agentes estão, põem em prática as estratégias sopradas ao pé-de-ouvido por aqueles a quem pertence a suas almas, jogando sujo e rasteiro, maliciosamente, envergonhando a raça humana e que fatalmente essas não tão nobres ações perseguirão as suas malfadadas gerações que estarão debaixo da pecha de “filhos da traição”. O cenário político e futebolístico são quase gêmeos, diferindo apenas que uns usam ternos e outros calções; tudo parece ser (em determinados casos) meticulosamente estudado nos bastidores. A primeira impressão (da massa que dá sustentação à República ou daquela que paga ingressos) é que tudo está difícil numa disputa árdua dentro do plenário ou de um campo de futebol, que pode transparecer “verdadeiro”, num primeiro momento, e até apaixonante pela maneira dissimulada que jogam. Mas, na maioria das vezes, em mesas luxuosas regadas do melhor uísque, entre tragadas deliciosas e gargalhadas insultantes, ocorrem discursos vaidosos de poder, ganância e favorecimentos não muito baratos, costura-se o planejado entre os poucos que ali estão que usufruem as benesses da falcatrua toda, estendendo as migalhas à soldadesca rasa de toda a organização mentecapta. Parece que o importante neste caso dos famigerados pela fama, dinheiro e poder, é sobreviver. Aguardando sempre a contrapartida que vem quando se sucumbe à ordem de cima, seguindo o “cartilhaço da vergonha”. O que realmente importa nesta altura do “campeonato” é saber que não somos devidamente respeitados por políticos ou jogadores, pois eles criam as jogadas, com traquejo e talento de malandro representam teatralmente de acordo com a necessidade momentânea. E aqui ficamos, com aquela ligeira sensação que alguém nos fez de idiotas - e por mais uma vez. Entretanto, o que importa para eles agora, é que continuemos a sonhar, pois isto é o que move os pobres mortais, que às vezes são chamados de “gado” (como somos vistos por alguns que governam os Poderes e também o futebol), que tem a obrigação de viver, engordando no pasto, procriando com o único objetivo de fortalecer cada vez mais os que detêm o controle da coisa toda já muito bem arraigada, transformada (infelizmente) numa cultura entre os miscigenados e passivos cidadãos brasileiros. Daqui a quatro anos, lá estaremos novamente, na “Copa do Mundo”, recomeçando tudo, esquecendo o passado e sonhando com a Glória! Mera semelhança ou coincidência? Agora mesmo, estaremos reiniciando outro jogo, o político - onde não se joga com bolas, mas sim com vidas humanas. Sim, aquelas mesmas vidas que ainda insistem em acreditar em seus irmãos. Há de se considerar aqui as raríssimas exceções, que exemplarmente sabem o significado de patriotismo, dignidade, lealdade e os praticam. Nada melhor do que terminarmos com Mikhail Bakunin, que lapidarmente contempla o jogo político, vindo a calhar estendermos também ao futebol e descobrirmos a similaridade, considerando que ambos os segmentos são constituídos por homens que pregressamente eram ninguém: “Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso, não conhece a natureza humana”. RICARDO VERÍSSIMO JÚNIOR é servidor público, bacharel em teologia, 3º Sargento Cavalariano Comandante de VBC (viatura blindada de combate) da reserva do Exército brasileiro e membro do Conselho de Leitores do Comércio da Franca.

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