Galeria de arte a céu aberto


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À primeira vista é surpreendente. À segunda é encantador. Da terceira em diante, resguardada a subjetividade de cada um, o grandioso acervo de esculturas a céu aberto do premiado artista plástico Bassano Vaccarini toca de forma indescritível. Altinópolis (64 quilômetros de Franca) tem o privilégio de ter em suas praças e locais públicos um verdadeiro espetáculo de arte. Os amplos jardins e as dezenas de árvores plantadas revelam um cenário bucólico, enfatizado pela mistura de diversas tonalidades de verde salpicado entre os monumentos, por isso é conhecida como cidade-jardim. Vaccarini, artista de renome mundial, reproduziu por meio de suas obras a vida política, histórica, cultural e religiosa da cidade, criando o primeiro jardim de esculturas no País. O arquiteto e artista plástico, falecido em 2002, nasceu na Itália e radicou-se na região. Entre as criações de Vaccarini está uma praça - o “Jardim das Esculturas Ulysses Guimarães” - com 7 mil metros quadrados, localizada no ponto mais alto da cidade. A praça, no Bairro Alto da Boa Vista, compõe-se também de um mirante de onde é possível avistar grande parte da cidade e muitas montanhas em volta. São 42 esculturas esculpidas em cimento, distribuídas em sete monumentos, trabalho que o artista levou cerca de três anos para concluir. A principal temática retratada são os diferentes segmentos da vida social altinopolense, com referências mais evidentes à família e especialmente à figura da mulher. Mas as obras não estão concentradas apenas no Jardim das Esculturas. Nos quatro cantos da cidade é fácil identificar outras obras de Vaccarini, que quando respondeu pela pasta da Cultura em Altinópolis pôs mãos à obra e dedicou grande parte do tempo na construção das esculturas. Em frente ao ginásio de esportes da cidade, por exemplo, há um painel com referências ao esporte e uma escultura representando a disputa de duas atletas por uma bola. Outra curiosidade é a “Praça da Conversa”, uma pequena área em uma esquina, cercada de painéis. Vaccarini foi, respectivamente, diretor e secretário de Cultura da cidade durante os dois mandatos do ex-prefeito Pio Antunes de Figueiredo Júnior (entre 1978 a 1982 e de 1989 a 1992), períodos em que deu o ponto de partida para tornar Altinópolis referência nacional em representatividade artística. CONJUNTOS E OBRAS Não há dúvidas de que o conjunto de obras mais conhecido na cidade é o “Jardim das Esculturas”, mas, além deste, entre os mais importantes, está a “Praça dos Trabalhadores”. Com obras inspiradas na característica agrícola e rural da cidade, Vaccarini criou um painel onde estão representados, de um lado, a pecuária (com vaca, trabalhador rural e um operário) e, do outro, o ciclo do café. Outra obra de destaque é um miniteatro de arena. Criado no período da luta contra a ditadura, não devem ter faltado motivos que o inspiraram a escrever, nas páginas de um grande livro aberto, a expressão “Liberdade de Expressão e Direitos Humanos”. Feito em cimento, o livro forma a concha acústica de um auditório ao ar livre com capacidade para cerca de 50 pessoas. HISTÓRIA E ARTE Vaccarini nasceu em 1914, em San Colombano Al Lambro, na região de Milão, norte da Itália, mas passou grande parte da vida em Altinópolis, terra de sua mulher. O artista chegou ao Brasil aos 32 anos, após a 2ª. Guerra Mundial. Foi para Ribeirão Preto em 1956, contratado pelo então prefeito Costábile Romano para fazer obras na comemoração do centenário da cidade, vindo de São Paulo, onde morou por dez anos. Mas foi Altinópolis a cidade escolhida para ser o principal reduto de suas obras. O artista imprimiu a sua marca, porém, em outras cidades. Em Ribeirão Preto, além de grupos instalados no parque ecológico, deixou obras no teatro da Unaerp, na Maternidade Mater e na recepção do Black Stream Hotel. Há ainda obras espalhadas por toda a região, como Batatais, Morro Agudo e Sertãozinho. Além de esculpir, Vaccarini foi professor de artes plásticas da FAU-USP (em São Paulo) e Unaerp (Universidade de Ribeirão Preto). Lecionou também no antigo Ginásio Vocacional de Batatais, hoje Escola Estadual “Candido Portinari”. O artista trabalhou ainda como cenógrafo e diretor do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) na década de 50, período em que recebeu vários prêmios em São Paulo e no Rio de Janeiro. O interesse pela arte surgiu aos 7 anos de idade. Considerado um artista notável no ambiente milanês, foi reconhecido como o melhor escultor jovem em 1935. O artista plástico italiano morreu há quatro anos, no dia 7 de abril de 2002, aos 88 anos, em Altinópolis, vítima do mal de Alzheimer e de falência múltipla dos órgãos. Como forma de homenagear o artista, Altinópolis deu o nome dele a uma escola e, em Ribeirão Preto, o teatro da Unaerp e um flat, no centro da cidade, também levam o nome do artista.

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