Os quase duzentos anos do Banco do Brasil


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Estamos assistindo a uma propaganda do Banco do Brasil com a Fernanda Montenegro anunciando que o banco tem “quase” duzentos anos. Isso está correto? Não! Está Errado! O Banco do Brasil tem uma história que pouca gente conhece. Essa conversa da propaganda na TV é para boi dormir, como veremos. Da biblioteca de meu tio Umberto Saturno veio às minhas mãos o livro “Contratos e Obrigações Comerciais” de Fran Martins. Conta-nos esse professor catedrático da Universidade Federal do Ceará que o primeiro banco brasileiro foi fundado por D. João VI mediante alvará de 12 de outubro de 1808. Essa história nós já conhecemos certo? Certo! Porém esse banco, que fora imperfeitamente modelado no Banco da Inglaterra, encerrou suas atividades em 1829, tendo sua liquidação aprovada em 1835. Isso você sabia? Um segundo banco, com a denominação de Banco do Brasil, teve a sua tentativa de funcionamento fracassada. Autorizada sua criação em 8 de outubro de 1833, não chegou a ser fundado. Em 1851, entretanto, um outro banco, com o nome de Banco do Brasil, foi criado pelo Barão de Mauá, passando, assim, a ser o segundo estabelecimento bancário que, entre nós, funcionou com esse nome. Como se vê, ficamos 22 anos sem o “banco”. Esse banco, em 1853, fundiu-se com o Banco Comercial, passando a nova entidade a denominar-se Banco do Brasil, o terceiro, portanto, que entre nós adotou esse nome. De 1853 até a proclamação da República, o terceiro Banco do Brasil sofreu várias alterações, tendo, inclusive, em 1892, se fundido com o Banco da República dos Estados Unidos do Brasil, passando a denominar-se Banco da República do Brasil. Atravessando o novo banco sérias dificuldades, suspendeu os seus pagamentos em 17 de setembro de 1900. O Governo, porém, foi em seu socorro, nele fazendo um depósito avultado, com a condição, entretanto, de administrá-lo por meio de diretores, o que foi anuído por acionistas e credores. Em 30 de dezembro de 1905 o banco foi reorganizado, passando a denominar-se Banco do Brasil, o quarto, até o presente a ter esse nome. Portanto, ignore aquela propaganda enganosa dos quase duzentos anos de solidez e competência. Se alguém não ficou convencido, temos ainda o Prof. Afonso Arinos de Melo Franco que publicou o livro (ou como o próprio autor define sua obra: “uma cartilha histórica”) “História do Banco do Brasil”. E adivinhe quem patrocinou o livro? O próprio Arinos reconhece que “em 1905, o presidente Rodrigues Alves, sob pretexto de reformar o inviável Banco da República, fundou o que deve ser considerado como o Banco do Brasil atual’. Como se viu, o Banco do Brasil é tão firme quanto prego na areia. E prepare-se, porque em 2008 veremos muita propaganda para “comemorar os 200 anos”. MÁRIO EUGÊNIO SATURNO é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano. Email: mariosaturno@uol.com.br

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