derrota


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Hoje, o domingo amanheceu em silêncio... igual à Sexta-Feira da Paixão, em que, como dizia minha avó, nem passa-rinho canta... Mas o silêncio que grita é o gol preso na garganta que não saiu, que não encantou cada brasileiro carente de alegrias, um time dos sonhos que virou pesadelo, que na sua apatia deixava os corações apertados, como se nós pudéssemos ter a reação que eles não tinham. Todos vestidos a caráter, ou seja, vestindo a camisa verde -amarela com garra. Parece até uma religião, uma fé nos 11 jogadores que nos representavam. Tudo para assistir a esta luta... neste ringue onde eles se digladiam como se fossem inimigos mortais, num ringue invisível aos olhos, mas palpável na crença, de que o seu time do coração é o melhor! Mas foi um sentimento de impotência que nos assolou diante dos 90 minutos que nos pareceram uma eternidade... E tudo terminou quando o juiz, implacável no tempo, apitou o final do jogo. E o sonho terminou ali, naquele apito gritando acorda! O choro do meu afilhado de 6 anos, na sua primeira Copa, o outro com os olhos marejados, nos mostra a paixão pelo futebol. Muitas outras copas eles verão passar em suas vidas, mas esta, com certeza, eles nunca mais vão esquecer! Uma euforia tomou conta do Brasil, durante toda a copa como se tudo fosse festa. Esqueceram-se as CPIs, a fome, o PCC, os corruptos. Colocou-se uma bandeira brasileira em cima de todos os problemas, para só pensar neles depois da copa. E a copa para nós terminou ontem, nos pés dos que não têm que se preocupar com fome, com CPIs, com escolhas de novos dirigentes do nosso País, que já têm garantidos seu salários de marajás... Mas nós, brasileiros, ainda com o nó na garganta, temos que acordar amanhã, segunda-feira, com tudo igual, tudo para resolver, escolhas a fazer. Nada mudou quando se descortinou a bandeira brasileira dos problemas. Então, meus amigos, vamos em frente, porque nosso verde-amarelo é outro, não o da camisa, mas o do coração que precisa ter orgulho de ser brasileiro, não pelo gol feito nas redes do campo, mas pelos gols feitos na nossa luta por um Brasil melhor. E vamos à luta!!!!!!! Maria Teresa de Melo Coelho Zanetti é leitora do Comércio

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