Divinos e torcedores


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Nem todos os santos, orações e devoção ajudaram o Brasil a passar por cima da França no sábado à tarde. Uma torcida santificada se reuniu no Mosteiro de Nossa Senhora do Divino Espírito Santo, ou mais conhecido como Mosteiro Cisterciense de Claraval, para apoiar a Seleção. Para ajudar, dois monges vieram do Rio de Janeiro, onde estudam teologia, para assistir ao jogo com os companheiros. Eles fazem parte do mosteiro local, mas atualmente vivem no Mosteiro de São Bento, no Centro da cidade carioca. Eles chegaram a Claraval (MG) no sábado, às 5h30, horário da primeira oração do dia. Entre os pedidos de ajuda a oprimidos e outros necessitados, estava o de dar força para o sucesso da seleção brasileira, mas não era o suficiente. Os padres, monges, noviços e postulantes acompanharam apreensivos, comendo uma grande bacia de pipoca e roendo as unhas, os 90 minutos de fraco futebol apresentado pelo grupo comandado por Carlos Alberto Parreira. O monge André, que veio do Rio de Janeiro, carregava sua bandeira e um mascote, apelidado de “Bonequinho Sorriso”, para trazer sorte. “Essa bandeira eu carrego desde o primeiro jogo, contra a Croácia. Sempre deu sorte”, disse André, mal sabendo qual seria o verdadeiro destino do time. A cada lance, os olhares estavam fixos na televisão de 29’’ e as pipocas só iam desaparecendo da bacia. O otimismo, durante o primeiro tempo, não cabia dentro dos presentes na sala de mais de dez metros de comprimento. “O Brasil precisa desse hexa. Será uma alegria para o povo, que está tão sofrido e com medo do PCC, e oprimido pela corrupção em Brasília”, sussurrou padre Irineu, para não fazer barulho e incomodar os colegas. Já no segundo tempo, a apreensão era maior. Entre uma falta contra os jogadores brasileiros ou os cartões para Lúcio e Ronaldo, o monge André apertava seu “Bonequinho Sorriso”, que emitia um som de gargalhada um tanto maligna. Até que surgiu o gol de Thierry e se instalou a desolação entre os religiosos. Por volta dos 45 minutos do segundo período, e o placar de 1 a 0, o irmão Bruno Maria deixou escapar. “Só um milagre”. E veio o apito final. Talvez tenha faltado mais convicção nas orações a São Pedro e a São Paulo, que têm seus dias comemorados neste domingo.

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