O pintor Bonaventura Cariolato nasceu em Malo, província de Vicenza, na Itália. Aos 28 anos, conheceu uma jovem brasileira que estava a passeio com a família pela Itália e se apaixonou. No ano seguinte, veio para a região e ficou hospedado na casa dos sogros, em Conquista (MG). Pouco tempo depois radicou-se em Franca com a família por se identificar com o clima da cidade.
Como pintor, assinou cerca de 4 mil quadros e só depois de 1955 contabilizou vendidas e presenteadas 2,5 mil obras. Até hoje está guardada em seu ateliê uma caderneta com as anotações das telas vendidas: para quem e qual obra.
Segundo a professora Marisa Porta, que estudou profundamente o trabalho do artista, Cariolato veio para a cidade com um olhar diferenciado sobre as paisagens. “Ele formou grupos de estudo e saiu a campo para produzir. Ele teve um olhar crítico e clínico dos arredores de Franca e Claraval”, explica. Para ela, como foi fotógrafo antes de ser pintor, Cariolato desenvolveu uma percepção diferenciada, que ajudou muito na visão da cidade que ele pintava. “Ele era um paisagista completo por causa do seu olho de fotógrafo”, diz.
Uma das técnicas preferidas de Cariolato era a aquarela, que ele usou largamente, principalmente depois de 1970. Hoje, suas obras não fazem parte de acervos pessoais e estão na chácara da família, já que não ficam mais expostas para o público na Casa da Cultura.
OUTRAS PROFISSÕES
Além de pintor, Cariolato também exerceu as funções de fotógrafo, artista plástico, marceneiro e projetista. Chegou até mesmo a participar da reforma das Igrejas Catedral e Capelinha. Mas o seu maior orgulho, além da pintura, era o Mosteiro de Claraval.
Cariolato recebeu uma proposta da Itália para fazer a planta do Mosteiro e a aceitou prontamente. “Ele acompanhou toda a obra até a inauguração. Inclusive, documentou toda a construção em fotografias”, diz Marisa. Segundo ela, a reforma feita no ano passado no Mosteiro teve como base justamente essas plantas, que hoje estão em poder do Arquivo Histórico Municipal.
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