Em uma mata gelada e escura. É nesse lugar que o armador de ferragens José Elias Fiuza, 49, o “Zé do Mato”, tem passado os dias de inverno. Nascido em Chapada do Norte (MG), mora num barraco de madeira e lonas no Residencial São Tomás há quase 20 anos e, mais uma vez, sofre com as noites frias (cerca de 10 graus), sem roupas adequadas e cobertor mais grosso para suportar as baixas temperaturas durante a noite no brejo onde vive. “Aqui faz bastante frio e tem muita ventania.”
À luz de lamparina e banhos de bacia com água cedida pelos vizinhos, Zé do Mato se aquece como pode. “Tenho dois cobertorzinhos, mas estão velhos demais. Calças? Devo estar com umas duas, mas uma está na hora de jogar no lixo de tão gasta. Se alguém pudesse ajudar com umas roupas e comida seria algo de muito bom coração”.
Na cidade, a estação mais fria do ano não tem castigado apenas a ele. Distante dali, uma família numerosa, no Jardim Santa Bárbara, necessita de roupas de todos os tamanhos. Na casa de três cômodos, na Rua 102, número 610, a dona de casa Rosângela Andrade, 32, grávida de seis meses, mora com o marido e sete filhos. O mais velho tem 15 anos e a caçula, 2.
“No inverno, à tardinha já não dá para ficar lá fora, de tanto frio por causa da mata em volta. Dentro de casa também faz frio porque é de telha eternite, mas não tem embolso nem forro e o vento entra forte nos quartos”, disse Rosângela.
Não há colchões para todos os filhos e eles dormem juntos. Os cobertores são insuficientes para aquecer a todos. “Tenho só sete cobertas e, como já estão muito velhinhas, ficaram finas demais. Elas não são muito boas para tampar o frio”. As crianças têm poucas calças e blusas de frio. “Aqui, eles precisam até de meias.” A oitava filha deve nascer daqui a três meses, mas Rosângela ainda não começou a fazer o enxoval.
A maior preocupação da mãe é com a saúde das crianças pouco agasalhadas. “Temo que fiquem doentes. Eu mesma tive princípio de pneumonia por causa da friagem e estou tomando remédio”.
Na Avenida Dom Pedro, 5.681, na Vila Gosuen, a cena se repete. A sapateira Suzane Caetano, 23, o marido e dois filhos sofrem com o inverno. Há três anos, a família trocou a rua por um cômodo emprestado. A sala da casa abriga a todos eles, mas está com os vidros da porta e janela quebrados e apenas uma porta de lata e uma tampa de madeira são colocadas para tentar impedir a entrada de vento e chuva. “Estamos passando frio”, disse ela.
Na casa dos fundos, novos problemas com as temperaturas baixas e a chuva: Andréia da Silva, 30, dona de casa, vive com o marido, seis crianças (entre 9 meses e 14 anos) mais dois tios em três cômodos e precisa de agasalhos. “A gente, adulto, coloca uma blusa e fica bem. Já as crianças sentem muito frio, além de sujarem muita roupa. Não importa se está calor ou frio, não tenho de onde tirar dinheiro para comprar agasalhos.”
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.