O Deus da Vida


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No tempo de Jesus estava em voga a seguinte idéia: “o dia em que um homem morre é melhor do que o dia em que ele nasceu!”. Tal pensamento pode ser bonito trazendo em si uma profunda filosofia, entretanto, fica uma pergunta: por que é preciso morrer? A morte física sempre existiu. Como o de qualquer outro ser vivo, o organismo humano, com o transcorrer dos anos, enfraquece, se desgasta e encerra o seu ciclo. A morte é algo natural e o livro da Sabedoria, no Antigo Testamento, quando fala dos justos, nunca afirma que eles morrem, mas que “encerram a sua vida”. Denomina a morte como partida, libertação, mudança ou êxodo da escravidão para a liberdade. A morte não é castigo, pois, se alguém quiser passar da vida imperfeita para a vida em plenitude, o único caminho é morrer. Existe uma morte pior que todos nós devemos detestar: a falta de amor. Deus nos criou para a vida e morremos quando não conseguimos amar, quando nos tornamos egoístas. No coração existem o mal e o bem. Se o mal reinar, cresce dentro de nós o reino das trevas. A luz foi criada para nós, pois, somos filhos da Luz e a Luz é Deus. Deus não fez a morte eterna, no seu projeto fomos criados para a imortalidade. A imortalidade é só para os que praticam a justiça. Participando das missas amanhã, escutaremos um trecho do evangelho de Jesus escrito por São Marcos que nos relata sobre dois inimigos poderosos vencidos por Jesus: a doença incurável presente na mulher com hemorragia há doze anos e a morte que havia chegado para a filha de Jairo. Aquela mulher doente enfrenta todos os obstáculos que existiam e toca no manto de Jesus. Para ela que tinha fé não era necessário mais nada: ela acreditava que ao tocá-lo, seria curada. Jesus com ternura e compaixão olha para ela, reconhece sua grande fé e está curada. Uma lição: sempre é necessário acreditar na força misteriosa de Jesus, capaz de reverter o que parece irreversível. A crença dessa mulher é fé que salva. E Jairo? Sua filha está morrendo com só doze anos de idade. O contato de Jairo com Jesus é direto, ao passo que o da mulher doente não. Jairo se prostra diante de Jesus e fala com ele. Pede e é atendido. Outra lição: a confiança nos faz alcançar graças e bênçãos do céu. Ela exige paciência e entrega. Outro dado importante: Jesus escuta-nos assim como escutou o pedido de Jairo. Na vida encontramos obstáculos que tentam prejudicar nossa aproximação de Deus ou demonstrar que temos fé. O malígno está sempre agindo. A nossa persistência em alcançar aquilo que é bom e necessário para nossa salvação deve nortear nossa vida, repito, “a persistência”. Temos oportunidades da graça de Deus para ficarmos perto do seu amor: a oração, a escuta da sua Palavra, os sacramentos e, sobretudo a Eucaristia. Não fiquemos mortos! Por outro lado existem pessoas que envenenaram por completo a própria vida com perversidades, maldades, vícios, etc. Talvez queiramos ficar desanimados diante delas. Quem sabe queremos pensar assim: deixa prá lá, não adianta insistir... Nessa hora Jesus repete: “não tenhas medo, somente crê”. Quem acredita nele também hoje poderá ver “ressurgir” para uma vida nova aqueles que todos consideravam definitivamente “mortos”. Sempre conhecemos pessoas com histórias semelhantes. Rezemos por elas, para que ao descobrirem a vida plena que Jesus tem para cada um de nós, abracem tal desejo e sejam perseverantes no novo caminho. PADRE JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral de Franca

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