Não tenho nada verde e amarelo. Na verdade, não acho a combinação de cores das mais bonitas. Em dias de jogo, não me visto com a camisa do Brasil, não coloco chapéu, não toco corneta e nem saio gritando pela rua. Sem patriotismo? Pode até ser. Até porque anda difícil ser patriota no Brasil...
Quanto ao futebol, não entendo absolutamente nada do jogo. Impedimento para mim ainda é um grande mistério. Mas assisto às partidas da Copa. Um pouco impaciente, é verdade. Afinal, não é fácil ficar 90 minutos sentada em diante da TV. Prefiro fazer alguma coisa ao mesmo tempo: passando a agenda de telefones a limpo, lendo o jornal do dia, olhando uma revista, arrumando armário. Na hora do gol, é claro que saio correndo para ver o replay e prestar atenção. Aposto que todo mundo presta mais atenção no replay. Principalmente quando o gol é inesperado...
Mas se esse ano não estou muito patriótica, em outros já fui mais. Nunca fui de usar camisa verde e amarelo. Em 1998, por exemplo, assisti a quase todos os jogos em um bar, com uma turma de amigos. Inclusive a final. Coisa que não faço esse ano de maneira alguma. Chatice? Não sei. Acho que apenas estilo de vida.
Mas acho interessante observar as manifestações patrióticas das pessoas. Embora ache um absurdo o País parar por causa do futebol. Pior ainda é ler as notícias nos jornais, no dia seguinte aos jogos, de que pessoas ficaram sem atendimento médico no Rio de Janeiro porque os médicos estavam assistindo ao jogo. Isso sim é falta de patriotismo. E de ética também, é claro.
Em época de Copa, também é irritante assistir televisão. Como se não bastassem as notícias dos jogos, das torcidas, do clima no País, daqueles torcedores que têm o coração dividido, da mãe que torce pelo filhos, etc., há também os comerciais, que levam, em sua maioria, alguma referências ao mundial. Haja paciência para essa overdose...
Para mim, dia de jogo é como outro qualquer. Se não for domingo, trabalho do mesmo jeito. E sem direito a meio expediente. E se o Brasil perder ou ganhar, tudo continuará exatamente igual. Terminou, desligo a TV e sigo com a vida.
Mas sou obrigada a confessar. Dá muita raiva quando o adversário faz um gol, o juiz rouba contra o Brasil, os nossos jogadores perdem uma boa jogada ou fazem uma péssima partida...Além disso, o coração acaba batendo mais forte na hora do gol!
Maisa Infante
editora assistente
do caderno Artes
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