O prédio do campus da Unesp (Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”) de Franca está, literalmente, caindo aos pedaços. Na manhã de terça-feira, quem passou pela Rua Major Claudiano pôde perceber que, durante a madrugada, pelo menos três metros de beiral despencaram. Para segurança de pedestres que transitam pela calçada, funcionários colocaram um cordão de isolamento no local. “Tivemos sorte de os escombros não atingirem ninguém”, disse ontem o professor Pedro Geraldo Tosi.
Esta não é a única situação de perigo iminente na universidade, seja do lado de fora, ou no seu interior. As péssimas condições físicas do prédio foram tema de cantigas de estudantes durante pedágio realizado na semana passada.
De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, a universidade não possui alvará de funcionamento. O órgão, durante orientação, chegou a apontar 70 pontos de risco, alguns já corrigidos com a troca de pisos e colagem de borrachas antiderrapantes nas escadarias. Mas as infiltrações no prédio são uma das situações mais graves e continuam a danificar teto e paredes.
Tanto que na Rua Alcindo Ribeiro Conrado há outro ponto em que o beiral, no 3º andar, está úmido e pode despencar. Pedro Tosi disse ontem estar preocupado com a segurança dos quase 2 mil alunos que passam diariamente pelo local, sem contar os pedestres que transitam pelas calçadas no entorno da universidade.
Durante um passeio de trinta minutos no campus da Unesp, a reportagem do Comércio pôde constatar algumas situações difíceis até mesmo para os funcionários, que precisam cobrir os computadores com plásticos improvisados. Na sala de videoconferência, a situação é semelhante. Para não danificar equipamentos importantes e caros, um plástico grande fica guardado no canto da sala. Em cada estação de chuva, segundo os funcionários, são registrados pelo menos três inundações no segundo andar.
O telhado, obra mais recente, foi trocado há cerca de dez anos. Mesmo assim, ele precisa ser trocado novamente porque foram usados materiais de baixa qualidade que ajudam nas infiltrações. “Nunca vi tanto desleixo com a universidade do jeito que está, especialmente no campus de Franca. Parece que está sendo relegado ao desaparecimento”, disse Tosi.
A capela é outro ponto crítico. Ela está sem uso há 20 anos.
De acordo com o historiador José Chiachire Filho, o prédio da Unesp tem mais de 120 anos. Antes de abrigar a universidade, no local funcionava o Colégio Maria de Lourdes.
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