Aposentado de 80 anos espera 12 horas por internação

Imagine a seguinte situação: um idoso de 80 anos, acometido por pneumonia e arritmia cardíaca, passando mal, procura atendimento médico às 14h30, tem recomendada sua

29/06/2006 | Tempo de leitura: 2 min

O aposentado Elói França de Almeida, 80, na cadeira de rodas, aguardou por 12 horas no ‘Janjão’ para ser internado no Hospital do Coração
O aposentado Elói França de Almeida, 80, na cadeira de rodas, aguardou por 12 horas no ‘Janjão’ para ser internado no Hospital do Coração
Imagine a seguinte situação: um idoso de 80 anos, acometido por pneumonia e arritmia cardíaca, passando mal, procura atendimento médico às 14h30, tem recomendada sua internação, mas tem de esperar por 12 horas, sentado em uma cadeira de rodas e sob um frio abaixo de 10 graus durante a madrugada, para ser internado no Hospital do Coração (HC). Essa história é real e aconteceu ontem, no Pronto-socorro “Doutor Janjão”, com o aposentado Elói França de Almeida. Desorganização, falta de interesse e comprometimento com os pacientes. Esses foram alguns dos adjetivos utilizados pela autônoma Elisete Antônia França Almeida, 39, para definir o descaso com que seu pai foi tratado no pronto-socorro de referência da cidade. A alegação do corpo clínico do “Janjão” seria falta de vagas para a internação pelo SUS, o que foi veementemente desmentido pelo HC. Elisete Almeida disse que chegou com o pai, passando mal, às 14h30 de terça-feira no PS. Meia hora depois, houve o atendimento e, após a realização de eletro e raio-x, o diagnóstico, dado por volta das 20 horas, foi de pneumonia e arritmia. A partir daí, a médica Maria das Graças Gambeta teria assumido o caso. “Ela me falou que não tinha vaga no HC. Disse que mandou um fax para lá e que não houve resposta. E meu pai lá, esperando, sentado em uma cadeira de rodas, inconsciente”, disse a autônoma. Cansada, Elisete Almeida ligou para a redação, por volta de meia-noite, para reclamar do descaso com seu pai. No local, a reportagem fez contato com o HC, à 1h14 da madrugada de quarta, e o cardiologista Sebastião Salomão deu outra versão: disse que, realmente, o fax foi enviado, mas para uma sala onde não havia funcionários e negou que houvesse pedido de internação. “Conversei com a doutora Maria das Graças às 22h30 e ela disse que se fosse necessária a internação me ligaria novamente, mas isso não aconteceu. Vagas nós temos”, disse Salomão. Ao tentar conversar com a médica, porém, a informação da enfermagem à reportagem é que ela já teria ido embora do “Janjão”. “Quando disse que tinha chamado o jornal, esta médica colocou um aparelhinho em meu pai e disse que não tinha culpa de nada. É sempre assim. Vai ver que o culpado é meu pai, por ter ficado doente”, desabafou a autônoma. “A enfermeira Raquel achou ruim de eu ter chamado a imprensa, disse que eu tinha feito barraco no PS. Chamei mesmo porque acho injusto a maneira com que tratam as pessoas aqui.” O octogenário foi, enfim, encaminhado ao HC por volta das 2h15 de quarta-feira. Levado por uma ambulância da Prefeitura, foi internado e permanece sob cuidados médicos. Segundo informações do hospital, seu estado é regular. O secretário da Saúde, Alexandre Ferreira, disse que checará a conduta dos médicos e que se qualquer conduta irregular for constatada haverá investigação. “O caso ainda não chegou para mim. Vou ver o prontuário do paciente e, se for necessário, tomarei as medidas necessárias”, disse Ferreira.

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