Desde o promissor trabalho de estréia Samba Raro (1999), Max de Castro vem experimentando formas diversificadas de produção. É evidente que isto se reflete na atmosfera sonora de cada álbum, mantendo firmes as bases do suingue de samba, soul, rock e pop sessentista. Com Balanço das Horas (Trama) não é diferente. Quer dizer, é.
No primeiro, ele fez tudo sozinho, das composições ao acabamento. No subseqüente, Orchestra Klaxon (2002), partiu para outro extremo, recheando o disco de parceiros e convidados, com resultado igualmente satisfatório. Max de Castro (2004) seguiu trilha mais livre, embora mantendo colaborações diversas. Desta vez, ele conta com uma banda fixa do começo ao fim, mas assina de novo sozinho todas as faixas, além dos arranjos e produção.
A sonoridade encorpada e meio retrô da banda - Robinho (baixo), Guto Bocão Vai X Vai (percussão), Samuel Fraga (bateria) e Will (trombone e fluguel horn) -, que o vem acompanhando já há algum tempo, contribui notoriamente para a unidade entre as dez faixas do novo trabalho. Elas também têm em comum alguma referência ao tempo. O início, com a instrumental Se Não Tem Remédio, Remediado Está, promete mais do que cumpre no encerramento. Mas o miolo tem boa fusão de samba-soul, funk e rock, referências ao velho Jorge Ben, Sly Stone e boas brincadeiras com certos clichês.
É interessante que, nestas constantes mutações, Max vem marcando território próprio. A propósito, diz em Sly Stone Is Playing in My House (troça com Daft Punk Is Playing at My House, do LCD Soundsystem): “Chega de prisões, padrões e dogmas”. Dos “artistas reunidos” amamentados pela gravadora Trama, ele é sem dúvida o mais inventivo. Se perde para o irmão Simoninha no quesito vocal, ganha na personalidade que falta a Luciana Mello e na consistência que Jair Oliveira, Pedro Mariano e Daniel Carlomagno não alcançam - afora o denominador comum da chatice.
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