O aumento dos investimentos em Previdência privada no Brasil evidencia o descrédito dos cidadãos em relação à aposentadoria pública. Os números mostram que cada vez mais pessoas se conscientizam de que o déficit da seguridade social não será resolvido com facilidade e procuram alternativas para não ter surpresas desagradáveis quando encostar as chuteiras.
No início deste ano, as reservas dos planos privados alcançaram a cifra dos R$ 79,7 bilhões, um aumento de 26,16% em relação ao mesmo período de 2005. Ou seja, este tipo de investimento deixou de ser exclusivo para pessoas com boas disponibilidades financeiras. Brasileiros com recursos mais reduzidos também estão preferindo aplicar suas economias nos planos de Previdência privada ao invés da boa e velha caderneta de poupança.
Se você também já está pensando nisto, é importante analisar os custos dos planos e saber como funcionam. O investimento em Previdência privada é um acumulo de dinheiro em longo prazo, onde o cidadão economiza durante a vida para ter uma renda no futuro. Durante o período de depósito, os recursos são rentabilizados por uma seguradora escolhida pelo cliente.
Há duas opções de planos, o PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre). A escolha deve ser feita de acordo com a forma de declaração do imposto de renda.
O PGBL é indicado para quem faz a declaração por formulário completo ou é tributado na fonte, pois este tipo de plano pode ser deduzido em até 12% da renda bruta anual. Já o VGBL é ideal para os autônomos, para quem faz a declaração simplificada ou não desconta o imposto na folha. As contribuições para este plano não são deduzidas na base de cálculo do IR, somente no momento do resgate.
Nenhum dos planos oferece garantia de rentabilidade mínima, mas em ambos todo o rendimento do período é repassado para o participante. Com qualquer um deles você pode trocar de operadora se desejar, desde que seja para um plano igual. O que os diferencia é a forma de regaste do investimento. Com o PGBL, restituir o dinheiro é possível dentro do prazo a cada 60 dias e pode ser feito em parcela única ou transformado em renda mensal. No caso do VGBL, o primeiro saque pode ser feito no período entre dois meses e dois anos. Depois disto, sempre a cada 60 dias.
Os planos privados têm um custo para o participante com as chamadas taxas de carregamento e taxa de administração. São iguais para os dois planos e cobradas anualmente. A taxa de carregamento é aplicada em cima do valor do depósito mensal e varia entre 2% a 5%, a média do mercado é 3%. Já a taxa de administração é cobrada sobre o valor total da aplicação e varia de 1,5% a 2%.
Fazer um plano de Previdência privada é seguro. Os participantes precisam apenas saber escolher uma seguradora estável porque, caso a empresa selecionada tenha alguma dificuldade no mercado, o investidor corre o risco de perder o dinheiro. Portanto, se você for fazer um plano de previdência privada, opte por um banco seguro, de grande porte e confiável.
MILTON DALLARI é consultor empresarial, engenheiro, advogado e presidente da Associação dos Aposentados da Fundação Cesp. miltondallari@terra.com.br
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