Não existe corrupção no Brasil. Políticos se preocupam com o bem-estar da população e trabalham sem descanso para a redução das diferenças sociais no País, até abrindo mão dos seus vencimentos. Ronaldo não estava gordo quando a seleção brasileira viajou para a Copa da Alemanha. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nunca gostou de bebidas alcoólicas. Estas são as notícias que realmente gostaríamos de estampar como manchete. Mas, aí, a imprensa estaria sendo mentirosa.
O Brasil continua sendo o celeiro da corrupção, conchavos e fraudes, envolvendo até o antigamente insuspeito Partido dos Trabalhadores, o presidente Lula e seus assessores. Políticos olham primeiro os próprios bolsos antes de se preocupar com as diferenças sociais do Brasil, onde os ricos são muito ricos e os pobres vivem no limite da miséria, sendo ainda furtados por uma população mais abastada que simplesmente embolsa dinheiro de projetos sociais. O artilheiro Ronaldo estava mesmo gordo e pesado quando chegou na Alemanha (até agora, perdeu seis quilos e, mesmo tendo feito dois gols contra o time do Japão e um contra o de Gana, continua pesadão em campo). E Lula gosta de vez ou aoutra tomar uma bebidinha, sim, embora esteja se policiando para não ser surpreendido pelos fotógrafos e cinegrafistas de plantão.
Tudo isso para dizer que, nos últimos tempos, a imprensa virou a grande vilã nacional para os que, flagrados em pecado, buscam um culpado para os próprios erros. Integrantes do governo federal chegaram ao cúmulo de dizer que “mensalão”, “valerioduto”, caixa dois, corrupção nos correios, fraudes das ambulâncias, nada disso teria existido. “É culpa da imprensa”, já se chegou a insinuar. O País todo foi obrigado a ver a vergonha em que se transformaram as CPIs dos Correios e dos Bingos. A primeira acabou caindo no esquecimento e teve o relatório modificado. A segunda corre o risco de ser derrubada pela Justiça.
Onde vamos parar? Grande parte da imprensa brasileira, séria e honesta, noticia o que vem acontecendo no País e, de vez em quando, expondo bastidores de fatos que os protagonistas queriam ver ocultos. Por isso, não podemos aceitar a pecha de culpados quando apenas estamos colaborando com a informação e o debate para o esclarecimento de nossos leitores, de forma clara, honesta e imparcial. Os protagonistas dos últimos escândalos que abalaram o Brasil precisam colocar a mão na consciência e passar a trabalhar de forma desinteressada pelos que os elegeram. Aí, sim, vão contar com a imprensa para que divulgue sua atuação. Do contrário, vamos continuar aqui: observando, investigando, cobrando, revelando e nos indignando com as fraudes, as corrupções e até o peso excessivo do atacante Ronaldo.
SIDNAI RIBEIRO é jornalista, editor do Carderno B do Comércio da Franca
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