A criação de postos de trabalho no setor calçadista é avaliada, mensalmente, por pelo menos quatro pesquisas. Os levantamentos servem para tentar prospectar uma tendência para o desempenho das empresas. Mas, em 2006, as enormes diferenças nos resultados apontados por cada uma das pesquisas não têm possibilitado uma conclusão segura. Algumas dizem que as indústrias não param de contratar. Outras acusam que as vagas encolhem. Uma verdadeira “dança de números” faz o que deveria nortear mais confundir do que esclarecer.
Os dados dos levantamentos realizados por três órgãos ligados à indústria, o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo); a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo); o Sindifran e o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), órgão do Ministério do Trabalho e Emprego, em relação à evolução do número de postos de trabalho na indústria calçadista de Franca neste ano dão o tom da discrepância. A diferença na variação da quantidade de vagas de emprego supera 29%, dependendo dos índices comparados (veja gráfico).
MUITAS VARIÁVEIS
O presidente do Sindecon (Sindicato dos Economistas do Estado de São Paulo), José Roberto Cunha, acha que alguns fatores podem interferir na hora de conferir as diferenças entre os resultados finais. “Dependendo da base, pode haver realmente distorção”. A base a que se refere o economista é a fonte utilizada por cada índice na hora de apurar os dados. No caso dos quatro índices observados, no setor calçadista, ela é variável. O Caged, por exemplo, coleta dados em indústria de transformação de Franca. Já o Ciesp, em indústrias de calçados de toda a região.
Cunha acredita que o universo de consultas é outro ponto que pode interferir nos resultados. Para explicar a tese, o presidente do Sindecon usou uma metáfora. “Se você vai fazer um perfil do brasileiro e observa apenas gaúchos, não chegará a um resultado real. O mesmo acontecerá se você só pesquisar entre mineiros ou baianos”, disse. No caso dos índices comparados, apenas o Caged garante consulta a todo o universo de indústrias envolvidas. O levantamento do Sindifran, por exemplo, consulta apenas cerca de 50 empresas em um universo aproximado de 1.500.
Para Cunha, cada detalhe pode influenciar. “Se as informações são coletadas por questionários ou entrevistas, se quem responde às perguntas é o dono da empresa ou o gerente, enfim, minúcias podem colaborar para alterar as conclusões de cada entidade”.
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