Inteligente e esperto, Thiago Creiton de Jesus Borges, 6, é o caçula de três irmãos. Suas brincadeiras preferidas são andar de bicicleta e jogar videogame (com o Playstation emprestado pela vizinha. O dele, ele pretende comprar juntando latinhas para vender). “Meus jogos preferidos são os de carrinho.”
Foi depois de mais um dia inteiro de brincadeiras, em outubro do ano passado, que o garoto e seus familiares foram surpreendidos com o aparecimento de manchas escuras pelo corpo de Thiago. Após passar pelo médico e fazer exames, eles receberam a triste notícia de que a criança estava com câncer. “Ele sempre teve boa saúde e jamais pensei que isso fosse acontecer”, disse a mãe dele, a dona de casa Romilda Aparecida Borges, 40.
A princípio, suspeitaram que fosse leucemia, mas o diagnóstico mostrou que Thiago sofre de aplasia de medula óssea, uma doença rara e extremamente séria. “É mais grave. A leucemia impede a produção de plaquetas e outras células pela medula e a aplasia corrói a medula. Meu filho tem apenas 20% da medula e estar vivo já é um milagre”, explica Romilda sobre o garoto que está bem, mas é muito frágil. “Temos de ser muito cuidadosos. Ele vive em constante risco de morrer”.
O garoto usa máscara no rosto a maior parte do tempo para evitar infecções provocadas por vírus e bactérias, pois a resistência dele é muito baixa. Thiago foi matriculado na 1ª série da Escola Municipal “Domênico Pugliesi”, mas não pode freqüentar as aulas. A professora envia as lições para casa e a mãe o auxilia.
A medicação para combater a aplasia causa inchaço e sono. Thiago acorda por volta das 11 horas e preenche seu dia com brincadeiras, quando está mais animado. As refeições são restritas. “A comida dele tem de ser sem sal para não reter mais líquido. Ele come basicamente arroz, feijão, batata e sopa, pois o médico proibiu verduras, frutas e danones para protegê-lo de qualquer contaminação.”
EM TRATAMENTO
Além dos medicamentos diários, há oito meses (desde outubro de 2005), Thiago passa pelo Hospital do Câncer de Franca para as sessões de quimioterapia. Na última vez, precisou ficar seis dias internado. Não há previsão de término para o tratamento.
Como continuará com os procedimentos pelos próximos meses, Thiago será beneficiado pela construção da ala de oncologia infantil do HC. A ampliação da entidade dará mais privacidade para as crianças em tratamento com a separação do espaço do atendimento a adultos. Para Romilda, isso será um ganho na recuperação e proteção das crianças. “O contato com os pacientes mais velhos e os acompanhantes precisa ser evitado ao máximo. Thiago, por exemplo, não pode ficar doente de jeito nenhum e quanto menos pessoas no ambiente, menor o risco.”
A nova ala começou a ser construída em maio e deverá ser inaugurada em fevereiro de 2007. O hospital prevê investimentos de R$ 1 milhão para esse projeto. Uma das maneiras de ajudar a ampliar a entidade é participar da campanha “Assine Esta Obra” do jornal Comércio da Franca (leia mais em texto nesta página). “Ajudarão a salvar vidas. E não é uma ajuda só para a gente, é para todos”, disse Romilda.
FUTURO
Somente um transplante de medula óssea pode mudar a história de Thiago, mas ninguém da família apresentou compatibilidade com ele. Apesar dos riscos que a criança corre e das notícias pouco animadoras, Romilda não perde a esperança de ver o filho bem de saúde e curado. “Enquanto há vida, há esperança. Deus vai abençoar o Thiago e meu anjinho vai sarar”, disse, com lágrimas nos olhos.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.