Durou pouco


| Tempo de leitura: 3 min
Tem sido uma negativa surpresa o comportamento do secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, no desempenho de suas funções. Empossado em lugar de um secretário de comportamento tímido, senão pífio, que muito contribuiu para o caos que se instalou na saúde pública local, Ferreira recebeu voto de confiança da imprensa e do usuário. Bom de discurso, deixou, de pronto, impressão de que faria valer uma postura firme, isenta, apolítica, na condução dos destinos daquela que pode ser considerada a mais importante pasta no organograma do governo municipal. Os dias foram derrubando a impressão, confirmando-a como falsa. Decepciona o fato de o secretário de saúde não ter voz e atitude próprias, passando a ser mais um que deve cantar com a língua enrolada, como manda o figurino do governo municipal de Sidnei Franco da Rocha (PSDB). O secretário, a exemplo de seu antecessor, sumiu. Sequer atende às ligações da reportagem ou concede entrevistas por meio das quais poderia, pelo menos, dar uma resposta à população indignada com a situação da saúde pública. Se acaso houve, de início, boas intenções, foram para a lata do lixo, consumidas pela mesmice do discurso que empaca o serviço, engoda usuários, e deixa pessoas sofrendo ou morrendo à míngua. O novo comportamento do secretário de Saúde foi se destacando desde que os problemas da gestão anterior na pasta que ele ocupa se tornaram recorrentes na rede pública de saúde. Impotente diante da falta de resolução para os problemas de estrutura das Unidades Básicas de Saúde e dos prontos-socorros, Alexandre Ferreira se tornou apenas mais um a compor um grupo inexpressivo de secretários municipais: aqueles que não têm iniciativa própria e são meros peões no jogo de xadrez administrativo do centralizador prefeito. A falta de postura mais independente nos momentos de crise para resolver problemas agrava uma preocupação já destacada pelo Comércio da Franca logo após sua posse: as conseqüências que isso terá na necessária autonomia do CMS (Conselho Municipal de Saúde). A lei criou o CMS em caráter permanente e deliberativo. O órgão colegiado é composto por representantes do governo, prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários; atua na formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde na instância correspondente, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros, cujas decisões são homologadas pelo prefeito. Antes de virar secretário, Alexandre, por interferência política, foi eleito presidente do Conselho. Como secretário, se manteve no cargo, gerando as primeiras desconfianças de que sua atuação tanto numa posição quanto noutra não seria tão isenta como deveria. Mais uma prova de que o tempo é mesmo senhor da razão. A sociedade não exige secretários que peitem prefeitos, visto que eles, na estrutura administrativa, são prepostos e subordinados. Entretanto, assessores diretos, em cargos de confiança, bem remunerados e atuando em área específica, devem ir além da “cordeirice” que o prefeito exige. Ocupantes de posições gerenciais devem fazer valer, sob pena de descrédito, o conceito de que construir um serviço público eficiente e justo é tarefa diária, que tem muito a ver com responsabilidade pública e social.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários