A semana foi caótica na Saúde Pública de Franca. Dois pacientes mortos, cujas famílias estão revoltadas com a morosidade e ineficiência dos serviços médicos da Prefeitura, reclamações de usuários e de funcionários dos prontos-socorros “Dr. Janjão” e Infantil. Em meio ao cenário, o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, optou por se calar. Desde terça-feira, Ferreira não se manifesta publicamente ou fala com a imprensa. Isolado, não apresenta soluções para os problemas da população, que banca seus vencimentos mensais de R$ 4.379,56. Nem para os funcionários de sua pasta, que se tornam pára-raios de todas as frustrações dos pacientes insatisfeitos e seus familiares.
O primeiro paciente morreu no dia 18. Uma parada respiratória vitimou o sapateiro José Carlos de Lima, 46, morador no Jardim Paulistano. A vítima pesava mais de 300 quilos e desde o início do mês sofria de falta de ar e dores pelo corpo. Há meses, Lima clamava por um tratamento. Sem poder pagar, aguardava atendimento pela rede pública. Dois dias antes da morte, Ferreira prometeu que examinaria o caso do sapateiro, mas não deu tempo.
Um caso atípico que veio à tona na quinta-feira foi a morte, por catapora (uma doença que raramente mata nos dias de hoje), de Leonardo da Silva Santos, 13, no dia 18. Atendido duas vezes nas UBSs do Jardim Aeroporto, os médicos não teriam sequer examinado Leonardo, que era portador da Síndrome de Down, que se queixava de dores na garganta e dias depois, em nova consulta, foi diagnosticada pneumonia nos dois pulmões. Levado ao PS “Doutor Janjão”, foi transferido e internado na Santa Casa, onde morreu. “Ele precisaria ser atendido como uma pessoa especial.
Mas nem preferência no atendimento deram ao Leonardo. A pneumonia foi conseqüência da catapora malcuidada”, disse, em prantos, a mãe Maria Aparecida da Silva.
Até mesmo os médicos estão revoltados com a falta de estrutura com a qual eles trabalham. A pediatra Rosana Gadelia dos Santos disse que, na realidade, faltam profissionais de medicina, enfermagem, recepção e até faxina. “O Pronto-Socorro Infantil parece um hospital de guerra”, disse.
PEDREGULHO
A exemplo do que ocorre em Franca, a população de Pedregulho está revoltada. Dois jovens morreram, em um intervalo de sete dias, misteriosamente. As vítimas foram uma estudante de 14 anos, cujo atestado de óbito apontou pneumonia como causa do falecimento, e o ajudante-geral José Renato Araújo, 21, registrado como “morte a esclarecer”.
Os sintomas, em ambos, foram idênticos: febre, dores musculares e prostração. Nos dois casos, a suspeita é de hantavirose, doença altamente letal transmitida por ratos silvestres. “A escola em que a menina estudava fica perto da casa do rapaz que morreu e estava cheia de lixo. A prefeitura não se importou até eles morrerem”, disse uma vizinha, sem revelar seu nome.
O secretário de Saúde de Pedregulho, Roberto Manreza, disse que não está confirmada a causa mortis, foram casos isolados e não há motivo para pânico. “Os sintomas parecem com os da hantavirose, mas não há nada confirmado”.
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