Adriana Telini Pedro, advogada suspensa pela OAB até 23 de setembro, por conduta desonrosa à advocacia, pode ter se complicado ainda mais com a designação de novo juiz para os processos nos quais ela é acusada de envolvimento com o mundo do crime e nos quais existem dois pedidos de prisão preventiva. O magistrado da 3ª Vara Criminal, Luiz Pinheiro Sampaio, se declarou impedido de julgá-la por ter relações pessoais com a família da acusada. Por isso, dois processos, um deles com pedido de prisão preventiva, já foram redistribuídos para a 1ª Vara Criminal e agora caberá ao juiz Luciano Franchi Lemes decidir sobre o futuro de Adriana.
Formado em 1988 pela Faculdade de Direito de Franca, Luciano Franchi Lemes é magistrado desde 1990. Foi o titular do Tribunal do Júri de Franca por cerca de sete anos, até ser sucedido pelo atual responsável pelo setor, José Rodrigues Arimatéa. Reservado e totalmente avesso aos holofotes, conquistou fama de rigoroso. Nas audiências criminais sob sua tutela na primeira vara e nos Júris que comandava, era comum repreender partes e testemunhas que não se comportavam como queria.
Ao mesmo tempo em que cultivou a fama de rigoroso, Lemes também se revelou legalista e, em suas sentenças, não costuma levar em conta a opinião pública, mas sim apenas as provas do processo, conforme a orientação do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Se as provas valerem mesmo para a formulação de suas sentenças, Lemes deve condenar Adriana Telini, seguindo a suspensão dada pelos relatores do processo disciplinar da 13ª Turma do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB. “Em todas as gravações, está caracterizado o ato praticado por Adriana Telini”, disse o advogado Luiz Gonzaga Neves Melo Júnior, que participou do julgamento da profissional como um dos relatores. “O inquérito policial foi anexado ao processo disciplinar e lá está tudo bem claro”, concluiu.
DILIGÊNCIAS
Entretanto, apesar do rigor com que conduz a 1ª Vara Criminal, nada impede que Luciano Franchi Lemes possa indeferir os pedidos de prisão preventiva. Ele também possui a opção de seguir o parecer dos promotores dos respectivos casos.
Ivan Nascimento de Castro é o promotor do processo em que Adriana Telini é acusada de formação de quadrilha, por ter combinado assaltos com bandidos presos na cadeia do Jardim Guanabara ou por ter facilitado a comunicação entre bandidos, utilizando o telefone de seu escritório. Castro requisitou novas diligências da Polícia para juntar mais provas que incriminem a advogada. “Num processo delicado como este, não podemos ter pressa. Se não houvesse necessidade, não teria pedido”, disse o promotor, na última sexta-feira.
Embora seja comum juízes da comarca de Franca seguirem os pareceres dos promotores, caberá apenas ao juiz Luciano Franchi Lemes autorizar uma eventual prisão preventiva.
MEDO
Até o momento, não é possível afirmar se Adriana Telini será presa, mas ela já preferiu se esconder. Há duas semanas, uma mensagem na porta de seu escritório dizia que os clientes deveriam marcar hora para serem atendidos por ela. Nos últimos dias, ela não foi localizada em seu escritório ou em sua residência, que fica próxima.
O último processo cível que entrou no Fórum “Alberto de Azevedo” com a assinatura de Adriana Telini era uma sustação de protesto e teve a publicação de sua distribuição no dia 14 de junho
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