O presidente da AEC (Associação dos Empregados do Comércio), Wilson Pedro de Sousa, conseguiu liminar que suspende assembléia com os 1,7 mil associados do clube, que seria realizada neste domingo. O juiz da 4ª Vara Cível da Comarca de Franca, Marcelo Augusto de Moura, decidiu que, antes da realização de uma auditoria nas contas da administração, nenhum tipo de medida poderá ser tomada. O conselho deliberativo, que denuncia irregularidades e pretendia colocar em votação o afastamento da diretoria administrativa da AEC por 120 dias, diz desconhecer a liminar e considera que a assembléia está mantida.
A argumentação utilizada pelo presidente da AEC para conseguir a liminar se fundamenta principalmente no fato de que a atual administração já teria contratado uma empresa de auditoria que analisará as contas do clube. Essa era, à época da convocação da assembléia, a principal justificativa evocada pelo conselho deliberativo para afastar os comandantes da associação. O juiz considerou que a assembléia poderia resultar em “graves conseqüências” e, por isso, deu parecer contrário: “Não se afigura razoável, ao menos para esta fase (...), o afastamento de toda a diretoria administrativa”.
O presidente do conselho deliberativo da AEC, José Carlos Brigagão do Couto, não foi encontrado para comentar o assunto. Marcelo Jardini, vice-presidente do conselho, disse, na manhã de sábado, que não havia tomado conhecimento oficialmente da liminar. “Para nós, a assembléia está mantida.”
HISTÓRICO
A Assembléia que se realizaria neste domingo foi marcada oficialmente no dia 11 de maio. Na mesma data, José Carlos Brigagão do Couto explicou as razões da convocação. De acordo com ele, uma comissão de sindicância interna investigou os atos da atual administração e concluiu que uma auditoria externa deveria ser realizada, mas o procedimento foi barrado pelo presidente da associação.
“Ele (o presidente) frustrou a auditoria colocando empecilhos que não possibilitavam a ação da empresa contratada”, disse Brigagão, na época. Para Couto, o estatuto social do clube teria sido ferido e normas financeiras descumpridas.
Na mesma época, o presidente da AEC, Wilson Pedro de Sousa, rebateu as acusações. Ele disse que as denúncias não passavam de “suposição” com “motivação política”. A intenção, de acordo com Wilson, seria desgastar sua figura de presidente já com foco nas eleições para renovação da diretoria da associação, que ocorrerão no início de 2007. “Assumimos um clube com finanças deficitárias e estamos administrando pensando no bem dos associados, mas isso pode realmente desagradar a uma pequena parcela deles. As pessoas precisam entender que a AEC não é cabide de emprego”, disse.
Wilson e Brigagão formaram a chapa que destituiu a “dinastia” de José Finardi Garcia à frente da AEC nas últimas eleições do clube. Contudo, divergências nos últimos dois anos parecem ter desfeito a aliança.
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