Globalização do mundo da bola


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Os dirigentes da Fifa devem estar sorrindo à toa. A tática de aumentar o número de vagas em Copas do Mundo, implementada pelo brasileiro João Havelange, para com isso garantir a presença de times sem tradição de todas as partes do planeta, não só deu certo como impulsionou o esporte nos últimos dez anos. Se em 1994, a Copa garantiu a entrada dos EUA no mundo do futebol e em 2002 das equipes do Japão e da Coréia, que agora decepcionaram ao serem desclassificadas na fase inicial. Em 2006, a bola da vez é a Austrália. A classificação dos Cangurus às oitavas-de-final da competição, realizada na Alemanha - que teve inicialmente 32 seleções -, inaugura uma nova era, ou seja, a inclusão da Oceania, paraíso para esportes náuticos e de aventura. O sucesso no torneio era tudo o que a federação australiana, líder entre as entidades daquela região global, precisava para justificar mais uma mudança: conseguir uma vaga diretamente em sua competição classificatória. Isso, já a partir da próxima Copa, marcada para 2010 na África do Sul. Até a Alemanha, as seleções da Oceania disputavam um torneio, elegiam um campeão e então disputavam uma repescagem com o quinto colocado da América do Sul. Apenas o vencedor ia a Copa. Por isso, a Austrália, disparada a melhor de uma região composta por Nova Zelândia, Samoa, entre outros pequenos países, demorou 32 anos para voltar ao torneio. Essa é a maneira encontrada pela Fifa para se consolidar em todo o mundo e foi usada para incluir os africanos entre os melhores. Dezesseis anos depois do primeiro país, Camarões, passar da primeira fase, a força do continente negro é uma completa realidade. Nigéria (1994 e 1998), Senegal (2002) e agora Gana são apenas aquelas que conquistaram um lugar entre os melhores de uma Copa. O mais importante é a massificação do esporte no continente, que pode ser medida pelo aumento no número de jogadores no futebol europeu e no de bons times participantes das eliminatórias africanas. A disputa entre as seleções é grande, tanto que nenhuma das citadas anteriormente foi a Alemanha. Perderam para times como Togo, Angola e Costa do Marfim, desclassificados na primeira fase. Resta a dúvida: será que a história irá se repetir? Uma vaga na Copa é garantia de desenvolvimento do futebol nos países da Oceania? E quando os emergentes da bola ganharão uma Copa? Certamente em 2006 não será. O limitado time da Austrália enfrenta a Itália e Gana encara o Brasil. Alguém acredita em surpresas? (Alemanha x Suécia e Argentina x México abrem hoje as oitavas - veja matérias nas páginas H-6 e H-7).

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