Dois jovens mortos de maneira atípica, em um intervalo de apenas sete dias, deixaram apavorados os moradores de Pedregulho. A população teme que a causa da morte tenha sido hantavirose, uma doença transmitida por ratos silvestres com alto índice de letalidade (leia texto ao lado). Os sintomas apresentados por ambos, uma menina de 14 anos e um rapaz de 21, foram idênticos: febre, mialgia (dor muscular) e prostração por três dias, seguidos de uma crise respiratória, que culminou nos óbitos. O secretário de Saúde do município disse que aguarda o resultado dos exames do IML de São Paulo e que não há motivo para pânico.
O ajudante-geral José Renato Araújo, 21, morador do Bairro Santa Luzia, morreu no dia 9. Três dias antes, começou a ter febre alta. Com dores musculares, mal conseguia trabalhar. Foi atendido na Santa Casa de Pedregulho, onde o médico receitou antitérmico.
Não melhorou e voltou ao hospital. Após a realização de um raio-x, foi solicitada a sua transferência imediata para Franca, mas o rapaz não resistiu e morreu a caminho. “O médico não falou porque tanta pressa (em removê-lo de cidade), mas José Renato morreu ainda na estrada. É muito estranho, pois o rapaz nunca ficou doente”, disse José Ronan Araújo, pai da vítima. As vísceras e sangue do rapaz foram enviados a São Paulo para que seja determinada a causa da morte. O laudo deverá ser divulgado em 15 dias.
O caso da estudante de 14 anos, moradora das Casas Populares, foi idêntico, e sua morte ocorreu no último dia 16, uma semana após o óbito de José Renato. Os sintomas também foram febre, prostração e dores musculares por três dias. No quarto dia, a garota passou mal e foi socorrida à Santa Casa da cidade, onde morreu cinco horas depois. Os familiares não permitiram autópsia e não quiseram dar entrevista. O atestado de óbito diz que a causa de sua morte foi pneumonia. “É preciso ter cuidado, pois um laudo de hantavirose facilmente se confunde com pneumonia”, disse um médico consultado pela reportagem, que pediu anonimato.
O secretário de Saúde de Pedregulho, Roberto Manreza, disse que a população não deve se alarmar. Segundo ele, não há como confirmar a ocorrência da doença antes do laudo oficial do IML. “Os sintomas eram parecidos com os de hantavirose. Mas, não existe nada de concreto”. Como a escola em que a garota estudava é próxima à casa de José Renato, a Prefeitura realizou uma varredura no local. “Fizemos um arrastão conjunto com a Vigilância Epidemiológica e não encontramos nenhum rato. Foram dois casos isolados”, disse Manreza.
Colaborou Renata Modesto
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.