Sagrados corações de Jesus e Maria


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Além das tradicionais festas de Santo Antonio, São João e São Pedro celebra-se em junho, as solenidades dos Corações de Jesus e Maria. Mesmo vivendo num mundo moderno globalizado, muitas famílias conservam o piedoso gesto de entronizar em suas casas os quadros do Coração de Jesus e do Coração de Maria. As orações deste ritual consagram aquela família e a casa onde moram a Jesus e Maria: eles presidem a vida naquele local. O gesto da entronização revela a importância das coisas santas no lugar sagrado para nós que é nosso lar. Muitas residências com telas de artistas famosos em suas paredes têm como centro uma estampa, ou rica tela com Jesus e Maria e com maior freqüência tal atitude encontramos em casas simples, mas muitos lares já abandonaram os sinais cristãos em seu aconchego. A Igreja Católica nestes dias reverencia os corações de Jesus e sua mãe Maria. O que celebramos é o amor de Deus revelado em Cristo e manifestado sobretudo em sua paixão. O símbolo desse amor é o coração de Cristo ferido por nossos pecados. Foi uma monja, Margarida Maria Alacoque, da ordem da Visitação, na França, quem impulsionou a idéia que cristalizaria em nova festa no calendário litúrgico da Igreja. Entre 1673 e 1675 teve Santa Margarida Maria, em seu convento de Parayle-Monial uma série de visões nas quais Cristo lhe falou, pedindo-lhe que trabalhasse pela instituição de uma festa do Sagrado Coração. Somente em 1856, o Papa Pio IX oficializou a solenidade para toda a Igreja. A devoção ao sagrado coração é devoção a Cristo mesmo. Nas representações artísticas não é permitido mostrar somente o coração. Deve ser representado Cristo em sua humanidade completa, porque é ele o objeto de nossa adoração e para ele dirige-se nossa oração: “Vinde, adoremos o coração de Jesus, ferido por nosso amor”. O coração representa o ser humano em sua totalidade: é o centro original da pessoa humana, é aquilo que a anima. O poeta Yeats falou que o coração é o centro de nosso ser, a fonte de nossa personalidade, o motivo principal de nossas atitudes e eleições livres, o lugar da misteriosa ação de Deus. Apesar de nas profundidades do coração poder existir o bem e o mal, o coração é símbolo do amor. Cristo teve amor perfeito, seu coração é para nós o emblema perfeito do amor. Seu coração foi saturado de amor perfeito ao Pai e aos homens. Nós aprendemos o que é amor tratando de compreender algo do amor de Cristo. O amor de Deus encarnou-se no amor humano de Cristo, amor que existia desde toda a eternidade. A devoção ao sagrado coração de Jesus tem origens em dois textos do evangelho de São João: “quem tiver sede, venha a mim e beba e de seu coração jorrarão rios de água viva” (7:37-38), e, “ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; mas um soldado abriu-lhe o lado com a lança, e saiu sangue e água” (19:33-34). O amor de Cristo não é reservado exclusivamente a uma elite. Abraça a todos os homens, também os mais desencaminhados, tendo uma preocupação e afeto especial para os pecadores. Com o coração de Jesus a Igreja recorda o coração de sua e nossa Mãe: Maria Santíssima. Jesus, Deus em nosso meio, foi formado no útero de Nossa Senhora. O que experimentamos do coração de Jesus encontramos no coração de sua mãe. A essência do coração de Jesus está plenamente presente no coração de Nossa Senhora. PADRE JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral de Franca.

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