Nada de espetáculos diante de câmeras de TV ou algo semelhante ao julgamento de Suzane von Richthofen, no final de maio, no Fórum Criminal de São Paulo, em que advogados e promotores disputavam cada espaço com um batalhão de jornalistas. A reunião que definirá o futuro profissional de Adriana Telini Pedro acontecerá em uma sala pequena, sem público, e será secreta. Somente o presidente do Tribunal de Ética, os 20 relatores, Adriana e seu defensor, Rui Engrácia Garcia, terão conhecimento do que se passará. Ou seja, o encontro é mais semelhante a um conclave papal. Não há hora para terminar.
Logo após o presidente do Tribunal, Luiz Gastão de Oliveira Rocha, o defensor de Adriana Telini, Rui Engrácia Garcia, manifestará sua tese, seja de forma oral ou por escrita, sendo esta última modalidade a mais usual. Em seguida, o relator principal, Pio Figueiredo (ex-presidente da OAB de Altinópolis), revela o seu voto. Os demais 19 julgadores, também chamados de relatores, têm a opção de seguir, ou não, o voto do relator nomeado. O pedido de suspensão preventiva tem que ser analisado na reunião de hoje.
A eventual punição a Adriana Telini pode ser a primeira de várias batalhas jurídicas dentro da OAB. O julgamento de hoje acontece em primeira instância. Na sessão, será decidido se a advogada francana terá, ou não, suspensa a carteira da Ordem. Mas, na prática, ela poderá continuar atendendo normalmente em seu escritório, na Rua Marechal Deodoro, no Centro. No entanto, ela não poderá assinar petições que entrarem nos fóruns, que receberão comunicados indicando uma eventual suspensão.
Além do pedido de suspensão preventiva, os 20 advogados do Tribunal julgarão o pedido principal de punição, que pode ser até o de exclusão dos quadros da OAB. No entanto, para quem espera um julgamento rápido, é melhor esperar. O procedimento é longo, repleto de recursos e secreto, o que impede maior transparência.
Apesar do sigilo, o presidente do Tribunal de Ética em São Paulo, Braz Martins Neto, divulgou esta semana, em entrevista coletiva, a suspensão preventiva de 90 dias dos advogados Sérgio Uéslei da Cunha e Maria Cristina de Souza Rachado, esta defensora do líder da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), Marcos Camacho, o Marcola. Sérgio e Maria Cristina são acusados de comprar por R$ 200 de um funcionário da Câmara dos Deputados um CD com gravações secretas de um depoimento da CPI do Tráfico de Armas.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.