A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) começa a definir hoje, a partir das 9 horas, o futuro da advogada francana Adriana Telini Pedro. Acusada de envolvimento com bandidos de facções criminosas, ela será julgada pelo Tribunal de Ética e Disciplina de Ribeirão Preto, na sede da subsecção da OAB daquela cidade. Ela pode ser suspensa preventivamente por 90 dias, mas qualquer que seja a decisão, é cabível recurso para o Conselho Seccional, em São Paulo. A defesa sinaliza impetrar um mandado de segurança contra uma eventual punição.
Por intermédio de gravações telefônicas, autorizadas pela Justiça, Adriana foi flagrada combinando com Eurípedes Moura Júnior, vulgo “Perna”, um assalto contra uma cliente dela que havia deixado o escritório da advogada com R$ 20 mil provenientes da partilha de uma separação judicial. Na mesma fita, Adriana falava ao telefone com o marginal assim que ele fugiu da cadeia do Jardim Guanabara. Ela propôs escondê-lo em sua própria casa, anexa ao escritório, na esquina das ruas Marechal Deodoro e Estêvão Leão Borroul. O conteúdo destas conversas foi divulgado na edição do dia 21 de maio do Comércio da Franca.
Na edição de 4 de junho, novas gravações tiveram seus conteúdos revelados pelo Comércio. Nelas, Adriana Telini Pedro tenta indicar à filha de um traficante preso na cadeia do Jardim Guanabara o local onde estava enterrada uma porção de maconha. Em outro trecho, a advogada faz de seu escritório uma central de PABX para conversas entre presos. Um deles, desconfiado de que os diálogos estariam sendo monitorados pela Polícia, começa a alertar Adriana.
As ações da advogada francana ganharam as manchetes dos principais jornais do País e espaços no Jornal Nacional e no Fantástico, ambos programas da TV Globo. Algumas das principais autoridades jurídicas do País repudiaram as ações de Adriana. A declaração de maior impacto foi dada pelo presidente do Conselho Federal da OAB, Roberto Busato. Ele comparou o comportamento de Adriana ao de um marginal. O presidente do Tribunal de Ética da OAB em Ribeirão Preto, Luiz Gastão de Oliveira Rocha, que comandará hoje o julgamento, declarou que “bandido não pode ser advogado”.
As declarações pesadas contra as atitudes de Adriana Telini não pararam por aí. Em visita recente a Franca, o promotor de Justiça Fernando Capez também a criticou duramente. “Não se trata de uma advogada, mas de um membro de uma quadrilha com a carteira da OAB”, disse Capez.
Por outro lado, os presidentes da OAB local, Marco Aurélio Gilberti Filho, e da seccional São Paulo, Luiz Flávio Borges D’Urso, privilegiaram um discurso mais corporativista, dando maior ênfase ao direito de defesa e aos passos de um processo lento e sigiloso do que às evidências das reportagens.
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