Leonardo da Silva Santos, 13, morreu no último domingo, na Santa Casa de Franca, vítima de complicações causadas por catapora, uma doença que, nos dias atuais, raramente mata. Antes do óbito, Leonardo foi atendido por duas vezes nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) do Jardim Aeroporto e no PS “Doutor Janjão”. Revoltada, a mãe do garoto reclamou do atendimento e disse que os médicos das UBSs mal examinaram seu filho. “Mandaram eu colocar o termômetro nele”, disse a dona de casa Maria Aparecida da Silva, 34. O secretário de Saúde de Franca, Alexandre Ferreira, não foi encontrado ontem para comentar o assunto.
Leonardo começou a sentir os primeiros sintomas da catapora no domingo, dia 11, quando surgiram manchas pelo seu corpo e febre alta. Levado pela mãe à UBS do Aeroporto I, o médico, mesmo alertado sobre uma inflamação na garganta do garoto, diagnosticou a catapora e receitou apenas um antitérmico. Sem notar melhora no quadro, no dia 14, uma quarta-feira, Maria Aparecida levou seu filho à UBS do Aeroporto III. Outro clínico examinou Leonardo e, desta vez, foram receitados um antiinflamatório e um antialérgico. A febre continuou e Leonardo passou a reclamar de dores nas costas. “O médico disse que o pulmão dele estava limpo, mas colocou o aparelho (estetoscópio) por cima de uma jaqueta jeans. Ele não viu que o menino já estava com pneumonia”, disse a mãe.
Desesperada, na quinta-feira, dia 15, a dona de casa conduziu Leonardo até o PS “Janjão”, onde foi feito um raio-x e constatado que ele estava com pneumonia nos dois pulmões. “Foi conseqüência da catapora maltratada, não tenho dúvida. A situação estava tão grave que os três médicos do pronto-socorro nos acompanharam até a Santa Casa”, disse a mãe. Internado no CTI, o quadro de Leonardo piorou na sexta e no sábado, até que ele morreu, às 5h30 da manhã de domingo, dia 18. No atestado de óbito, insuficiência respiratória, pneumonia e varicela (catapora) foram relatadas como as causas da morte.
A tia de Leonardo, a dona de casa Maria de Fátima Silva Souza, 34, disse que o caso não foi isolado. Segundo ela, o atendimento das UBSs do Jardim Aeroporto seria sempre ruim. “É complicado a gente ser pobre. Há discriminação de todo tipo, social, econômica. Mas na saúde não pode ter isso, senão, as pessoas continuarão morrendo. Merecemos um tratamento digno. Não podemos ser benzidos pelos médicos das UBSs. Somos pessoas e não animais”, disse, chorando.
Ontem, cinco ligações telefônicas em diferentes horários foram realizadas na tentativa de encontrar o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, no gabinete e em seu telefone celular, para falar sobre o caso, mas ele não foi localizado.
Colaborou Daniel Rodrigues
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